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Back Futurecom 2011 Usuários de dispositivos móveis querem consumir mais
Usuários de dispositivos móveis querem consumir mais
Qua, 14 de Setembro de 2011 10:24

Painel discute smartphones e tablets.

Uma pesquisa realizada pela KPMG com 5,6 mil consumidores em todo o mundo (300 deles no Brasil) revela que os usuários de dispositivos móveis estão cada vez mais propensos a consumir nestas plataformas. Com relação a pesquisa anterior realizada em 2008, triplicou o número de respondentes que admitem fazer compras em smartphones e tablets, e 45% deles se consideram aptos a utilizar serviços financeiros. “Se receberem as ofertas certas eles gastarão, e o desafio é descobrir o perfil desses consumidores”, disse nesta quarta-feira (14) Manuel Rodrigues de Sousa, do comitê executivo da KPMG no Brasil, durante painel na Futurecom 2011.

Nos países em desenvolvimento, essa propensão ainda esbarra em questões como privacidade (77%) e segurança (75%). Dois terços dos consumidores (66%) usam serviços em nuvem em seus dispositivos, no entanto, “poucos usam serviços financeiros ou médicos, provavelmente por preocupações de segurança, o que também abre um nicho de mercado interessante para as empresas”, pondera Sousa.

Apesar disso, 81% dos consumidores globais pretendem manter suas linhas fixas, o que derruba a hipótese de migração de dispositivos. Segundo o estudo, 54% deles o farão manter acesso a internet cabeada, 45% por simples hábito, 38% devido a confiabilidade dessas conexões, 18% para poder usufruir de serviços futuros e 14% ainda considera a cobertura wireless limitada. “Se os dispositivos móveis vão substituir o PC ou não, me parece que há espaço para todo mundo.”

Em alguns casos os tablets já são capazes de substituir os notebooks, diz Ricardo Ogata, diretor da área de vendas de colaboração da Cisco. Alguns deles permitem integração com dockstations, úteis de acordo com o perfil de cada consumidor. “O tablet é muito bom para receber, mas ruim para criar conteúdo”, ponderou. A grande vantagem da mobilidade nesses dispositivos, acredita o executivo, é a integração com ferramentas de comunicação unificada.

Para Renato Carrião, da Bull, a migração de devices vai depender do ambiente de negócios. Se por um lado tablets e smartphones são insubstituíveis para determinadas aplicações devido a sua usabilidade, por outro lado são bastante limitados em termos de processamento em memória. “As aplicações em cloud suprem essa carência, mas com restrições de segurança”, diz. A nuvem também trará forte impacto nas redes móveis, pois demandará ainda mais tráfego.

Flodemir Pavanelli, diretor de tecnologia da Nokia Siemens, a questão do tráfego parece não preocupar desenvolvedores de aplicativos ou fabricantes de terminais. “O grande problema é que esses terminais smartphones consomem hoje 99% da sinalização nas redes”, diz.

Operadoras e Anatel
Por parte das operadoras, apesar das dificuldades oriundas do aumento do tráfego, os dispositivos móveis representam uma oportunidade boa de negócios. “O cliente tem consciência cada vez maior das possibilidades e estão mais exigentes em termos de produtos, mas isso é um problema bom”, diz Hilton Mendes, diretor de inovações da Vivo.

A mudança de comportamento do consumidor também acarretou mudanças profundas na indústria, mas o cenário ainda deve se agravar nos próximos anos com a massificação de tablets e smartphones. “O governo deu um passo importante com a Lei do Bem, e talvez devesse fazer o mesmo com os smartphones”, sugere Mendes.

Nesse cenário, o papel da Anatel se intensifica e a Agência deve “estar preparada para tudo isso”, diz Simone Scholze, superintendente-executiva da agência reguladora. “O usuário é muito mais inteligente, exigente, demandante, o que muda as concepções a que estávamos habituados, exigindo modernização. De fato, esse ambiente é desafiador para todos: operadoras, fabricantes, usuários e Agência.”

Escrito por Marcelo Vieira   
 
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