IPNews

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Back Futurecom 2011 Copa e Olímpiadas: desafios de infraestrutura a serem vencidos
Copa e Olímpiadas: desafios de infraestrutura a serem vencidos
Qua, 14 de Setembro de 2011 14:18

LTE é visto como fundamental.

O Brasil ainda tem inúmeros desafios para ser bem sucedido na realização da Copa do Mundo de 2012 e das Olimpíadas de 2016.

O primeiro quesito é a preparação do evento, o que envolve desde regulação até a instalação de equipamentos, facilidade em financiamentos, etc. Em segundo lugar está o funcionamento desses grandes eventos, sendo a terceira questão o legado deixado para o país. Esses pontos foram abordados no painel ‘Copa do Mundo e Olimpíadas: grandes desafios de infraestrutura a serem vencidos’, realizado durante a Futurecom.

Marcelo Motta, diretor da Huawei citou um estudo da empresa que mostra que a penetração do 3G ainda é muito pequena no país, mais que pode representar quase metade das conexões em 2014. “Além disso, pesquisamos a Copa do Mundo na África e constatamos que a taxa de uplink triplica em dias de jogos. E vimos isso em 2010, quando a popularização do 3G ainda era muito pequena”, lembra o executivo.

Tas Koutes, da Ericsson, também alertou a questão do tráfego de dados como um problema que precisa ser superado, não só nos estádios, mas em todo o país. Neste sentido, Rodrigo Cardoso Uchôa, diretor de novos negócios da Cisco – empresa patrocinadora e provedora oficial de infraestruturas de telecomunicações para as Olimpíadas de Londres, em 2012 - também lembrou que o Brasil não deve se limitar aos requerimentos de TI exigidos pela Fifa.

“Primeiro é preciso definir tudo o que é necessário em comunicação de voz, de dados etc nos estádios e em todos os lugares que envolvem o evento, como centro de mídia, por exemplo. Passar o que é preciso nesses locais cabe aos organizadores”, explicou Uchôa.

No entanto, a grande questão, segundo o executivo, é a identificação do que é preciso fazer em todas as regiões, o que cabe ao governo e à iniciativa privada. “Os requerimentos mais difíceis de serem definidos são esses, que irão definir de fato a imagem que o Brasil vai deixar. Só que essas necessidades não são passadas pelos organizadores. Nós é que devemos delinear as prioridades”, afirmou Uchôa, lembrando que o Brasil assinou um documento com 11 compromissos para sediar os jogos, e um deles trata das telecomunicações.

A opinião foi endossada por Rogério Catunda Boros, diretor comercial da Telebrás, que lembrou que uma das demandas da Fifa é a capacidade de tráfego para a transmissão de jogos em alta definição. “Os jogos precisarão ser transmitidos em alta qualidade, e precisamos ter demanda de tráfego e de rede para passarmos uma boa experiência em todo o país”, disse o executivo. “Para isso estão sendo analisados vários investimentos como, por exemplo, a implantação de cabos submarinos”, contou.

A importância de se passar uma boa experiência também foi citada por Frederico Bonincontro, da ZTE, que apontou a Copa do Mundo como uma boa oportunidade de antecipação na adoção de tecnologias. “Temos a questão da vigilância por vídeo, que ainda é muito incipiente, até a implantação do LTE”, destacou Bonincontro, lembrando que a presidente Dilma Roussef exigiu que todas as cidades-sede da Copa tenham LTE funcionando em 2014. “Isso é um desafio, porque temos muito o que caminhar em pouco tempo, e ainda temos obstáculos em regulamentação”.

A questão tempo também foi abordada por Alexandre Gouvêa, CEO da Atos, empresa que tem longa experiência em eventos esportivos: “a receita para estarmos preparados é muito simples: é preciso antecipação. E em alguns pontos já estamos atrasados”.

Já o tema regulação foi discutido por Antonio Carlos Fernandes Aldeguer, da Telefônica. “Temos ainda muitos entraves nessa questão. Para evoluirmos é preciso que executivo, legislativo, judiciário e iniciativa privada atuem em conjunto. Isso até já está acontecendo, mas precisamos acelerar ainda mais nos próximos meses”.

Legado
Leonardo Queiroz, da TIM, também citou como desafio o entendimento do que será feito com todo o investimento realizado em tecnologia após a realização da Copa. “Por exemplo, fizemos os Jogos Mundiais Militares e levamos infraestrutura para quartéis e comunidades carentes. Ela foi utilizada durante os jogos, mas agora estão paradas”.

Para o executivo, este ponto deve ser analisado já na organização do evento. “Temos que preparar o mercado consumidor para utilizar todo o investimento que for feito”, finalizou.

Por sua vez, Luiz Tonisi, da Alcatel Lucent, acredita que o LTE vai ser muito importante na realização da Copa, e afirma que a “tecnologia também ajuda a criar demanda”. “Nós fomos um dos últimos países que adotou o 3G. E todos os números colocados como expectativa foram superados”, declarou.

Sob o ponto de vista da indústria, Humberto Barbato, presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), lembra que a realização dos jogos no Brasil é vista como uma grande oportunidade, visto que a indústria de telecomunicações é fundamental para o sucesso do evento.

No entanto, segundo o executivo, como o Brasil é um país caro para se produzir, só vai colher frutos se as empresas brasileiras forem estimuladas. Senão, serão beneficiadas apenas as importações. “Foi muito bem-vindo o anúncio de desoneração do PIS e Cofins feito pelo ministro Paulo Bernardo, mas a iniciativa só será proveitosa se conseguirmos efetivamente participar do processo, com a geração de empregos aqui, e não lá fora”, disse Barbato.

Escrito por Luciana Robles   
 
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Publicidade