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Queda do dólar já causa prejuízo nas exportações de centrais telefônicas e PABX para a Siemens
Ter, 07 de Março de 2006 14:08
A queda do dólar já causa impacto real para a produção da Siemens voltada para a exportação. As unidades produtoras de centrais telefônicas e de PABXs(plataformas para telefonia corporativa) já têm um valor de exportação superior ao da produção. O vice-Presidente da Siemens, Aluizio Byrro, diz que apesar da perda, não há planos para suspender os negócios externos. "O Brasil já tem a fama de deixar a exportação em função do mercado interno. Vamos persistir, mas a instabilidade do câmbio é um péssimo negócio para a manutenção dos investimentos no pais", declarou o executivo durante a Telexpo 2006.

A Siemens do Brasil já está tendo prejuízo em unidades de produção dedicadas à exportação em função da queda do dólar. As unidades que produzem centrais para telefonia e PABXs, equipamentos de telefonia para corporações, já têm, hoje, um custo de exportação maior do que o de produção, admitiu o vice-presidente da Siemens do Brasil, Aluizio Byrro.

"Temos condições de enfrentar essa situação por mais dois a três meses, até porque conseguimos negociar bons contratos de Hedge com os bancos lá trás. Mas agora já não conseguimos essas taxas", destacou o executivo, que participou de coletiva de imprensa na Telexpo 2006, evento que acontece na capital paulista.

Apesar do revés, a Siemens não tem a menor intenção de suspender os projetos de exportação. Segundo Byrro, o Brasil já tem uma fama de só buscar o mercado externo quando possui problema de demanda, mas que a fabricante manterá os seus projetos.

"Exportar é persistir. Já estamos reduzindo custos localmente para buscar rentabilidade. Com relação ao câmbio, o pior de tudo é a instabilidade. O melhor é que se definisse logo um patamar", destacou o executivo.

Entre as medidas tomadas para racionalizar os custos, a Siemens renegociou com os fornecedores e diminuiu o orçamento de TI. Uma das ações nesta área foi a redução da entrega de licença de SAP, pacote de ERP, na empresa. "O custo de uma licença dessa é muito alto. Fizemos um estudo e só tem licença quem realmente precisa", afirmou o vice-presidente.

Para Byrro, o dólar não deverá romper a barreira dos R$ 2,00. "Espero que não. Seria um impacto grande nas empresas exportadoras",disse. A Siemens Brasil, por exemplo,é responsável por 2/3 da produção mundial de centrais. O 1/3 restante é produzido na Grécia. "Foi uma batalha enorme trazer esse processo para o Brasil e não vamos abrir mão dele",complementou.

Para recuperar os 40% de faturamento perdidos com a venda da unidade de celulares para a BenQ, a Siemens analisa ampliar a produção de outros equipamentos. Nesse momento, por exemplo, a fabricante está finalizando o processo para assegurar a produção local, em Curitiba, de modems DSLAM ADSL, que são instalados nas operadoras. O objetivo é também atender ao mercado latino-americano.

"Sabemos que esse é um mercado onde já há grande disputa, mas temos que estar produzindo localmente para conseguirmos competitividade na região. Também estamos ultimando o processo fabril de Wireless Modules, que permitem embutir aplicações de pagamento sem fio, também para o fim deste mês", afirmou Byrro.

Sem os celulares, a Siemens exportou US$ 20 milhões em software e US$ 250 milhões, em hardware. Para esse ano, a meta é de crescer, apesar de toda a dificuldade de câmbio, pelo menos, 20%.

 

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