O mercado global de 5G deve fechar o ano de 2019 com 13 milhões de usuários, segundo dados da consultoria Ovum, mas a expectativa para o Brasil não é das melhores. Em painel realizado ontem (28/10) no Futurecom, em São Paulo, especialistas apontaram que a saturação do setor móvel, o preço de equipamentos de rede para o 5G e também dos smartphones devem atrasar a guinada do mercado brasileiro. No entanto, a oportunidades no setor corporativo (B2B) pode abrir espaço para o crescimento do 5G.
O presidente do Teleco, Eduardo Tude, disse que redes privadas de 5G podem atender indústrias, por exemplo, garantindo operações de missão crítica. Ari Lopes, analista da Ovum para América Latina, também vai pelo mesmo caminho e acredita que mercados de nichos serão a oportunidade para as operadoras.
A agricultura deve ser o primeiro setor que as empresas vão atacar, até porque ofertas de conectividade do campo já são trabalhadas por elas. “Operadoras não estão esperando 5G para atacar o setor, onde 97% da área rural não tem cobertura”, complementa Lopes.
Os desafios também envolvem o leilão de espectro que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está preparando para o ano que vem. Enquanto Alex Pires de Azevedo, assessor na gerência de Espectro da Anatel, diz que o edital prevê o incentivo maior ao investimento, Tude lembrou que o governo sempre prefere o caminho da arrecadação. “Se resolve o problema de caixa, mas não o de qualidade do serviço. Este vai ser mais um desafio”, completou Lopes.
Parabólicas e antenas
Falando em edital de espectro, o assessor da Anatel trouxe outro desafio para o 5G. Nas áreas rurais, antenas parabólicas são utilizadas para captar sinal via satélite para o consumo de TV aberta. Por isso, as frequências disponibilizadas pela agência no leilão vão parar no 3,6 GHz, pois acima dela, é utilizada pelos satélites.
Mesmo assim, a rede 5G pode cortar a transmissão para as parabólicas, diz Azevedo. Isso porque a maioria delas não conta com filtro de sinal – dispositivo retirado para diminuir seu preço final. “Solução pode ser política pública para trocar o equipamento nas casas ou a mudança da banda da TV por satélite. Vai depender da escolha do governo”, sugere.
Antenas também serão um problema no meio urbano, mas no caso, serão os equipamentos para transmitir o 5G. Azevedo lembra que a nova tecnologia de banda larga vai pedir por maior quantidade de transmissores, o que esbarra em legislações municipais e pede por suas revisões. O aumento de estações radiobase também vai mudar o modelo de negócios das operadoras, em sua opinião, o que se torna mais um desafio para elas.
Preço
Por fim, a adoção do 5G depende do preço. Obviamente, haverá uma curva de evolução do usuário, onde ele irá trocar seu smartphone para um capaz de acessar a rede 5G, mas um movimento em massa só deverá ocorrer em meados de 2022.
No entanto, também há de se pensar no preço dos equipamentos para implantação do 5G. Para o analista da Ovum, o investimento massivo da China na tecnologia deve baratear o mercado. “Casos disruptivos de 5G devem demorar e primeira onda será de ricos. O 5G não será justificado pelo varejo (usuários finais), mas pelo B2B”, afirmou Ari Lopes.
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