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5G vai impulsionar expansão de fibra e a Padtec já está de olho nesse negócio

Executivos da empresa esperam crescimento por procura de suas soluções DWDM, impulsionada também pelas OTTs.

Manuel Andrade, CEO da Padtec (foto: divulgação Padtec).

Nascida há mais de 15 como spin-off do CPqD, a Padtec é uma das poucas fabricantes no mundo de soluções de ampliação de fibra óptica, tecnologia capaz de transformar bits em luz e luz em bits para aumentar a potência da transmissão de Internet. Seu carro-chefe, o DWDM (multiplexação por divisão densa de comprimentos de onda, na tradução da sigla), só é produzido por ela na América Latina, o que deveria ser motivo de orgulho para o Brasil, já que essa tecnologia será necessária para o surgimento do 5G, “que precisa da fibra óptica até o último equipamento no topo das antenas”, afirma o CEO da Padtec, Manuel Andrade.

E se precisa de fibra, também será preciso soluções de DWDM. É nessa aposta que a empresa, com faturamento de R$ 300 milhões por ano, faz para avançar nas três áreas em que atua: equipamentos (DWDM), cabos submarinos (responsável por implantar projetos e prestar suporte a projetos na área) e serviços (implantação, O&M e NOC de redes de fibras). Confira a entrevista, que também contou com a participação de Argemiro Sousa, diretor de Negócios da Padtec.

PORTAL IPNEWS: A Padtec já está de olho no mercado de 5G?

Manuel Andrade: Não vemos o 5G chegando tão cedo na América Latina (principal mercado da Padtec), que ainda absorve o 4G e conta com inúmeros usuários de 2G e 3G. Vendo isso, o Brasil deve começar o 5G no mesmo ritmo que foi o 4G: primeiros testes em 2013, implantação em 2014 e passando a ter uma rede significativa em 2015. Nossa expectativa é que o 5G comece em 2021.

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Argemiro Sousa, diretor de negócios da Padtec (foto: divulgação Padtec).

Argemiro Sousa: Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que há 236 milhões de acessos móveis, sendo que 47 milhões são de banda estreita, ou seja, nem 3G e nem 4G. Vai demorar uns dois anos para o 2G ser desligado, mas a rede só será trocada quando a operadora perceber que a manutenção da infraestrutura antiga é mais cara que implantar uma nova.

PORTAL IPNEWS: O 5G não está nos planos da empresa, então?

MA: Pelo contrário, nosso roadmap já prevê o 5G, que vai precisar levar a fibra óptica até o último equipamento no topo das antenas. A quinta geração de banda larga vai ter um impacto grande porque vai forçar a disseminação de fibra muito perto dos usuários, devido à necessidade de latência. Porque uma coisa é cair a sua chamada. Outra é um carro autônomo não conseguir trafegar porque não tem acesso aos dados ao seu redor.

Nosso negócio entra aí, pois a transmissão por fibra é a de menor latência, afinal não existe nada mais rápido que a velocidade da luz. Com a migração do 4G para o 5G, a fibra vai ter que chegar até a última antena da torre para garantir a transmissão de dados na confiabilidade e latência necessárias. E a medida que você se aproxima do cliente, vai ser necessário equipamentos mais compactos para caber nas torres.

PORTAL IPNEWS: E vocês já trabalham com esses equipamentos?

MA: Nosso carro-chefe é o DWDM, ampliadores de potência de fibra óptica que funcionam como roteadores, com a diferença de ser capaz de distribuir bits em velocidades 100 vezes maiores, garantindo que a capacidade da banda não se perca conforme ela é transmitida pelo comprimento da fibra. Eles se parecem com hacks de data centers e temos diminuído o tamanho do hardware para economizar espaço e energia, o que será fundamental com o 5G.

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PORTAL IPNEWS: Se o 5G não vai aparecer agora, o que tem puxado a demanda por fibra óptica?

AS: Qualquer coisa que aumente o tráfego de dados, porque quanto mais tráfego, maior a necessidade de fibra até a última milha. Streaming de vídeo, jogos online, entre outros, são drivers muito importantes para nós.

MA: O principal impulsionador do mercado de fibra são as MAGAF’s (acrônimo para Microsoft, Apple, Google, Amazon e Facebook), principais representantes do mercado over-the-top (OTT), que além de faturarem números absurdos (as cinco estão entre as maiores empresas do mundo, sendo que três delas ocupam o Top 3), tem um público que consome uma quantidade gigantesca de dados pelo mundo. Eles empurram a rede, principalmente a submarina.

PORTAL IPNEWS: A Internet das Coisas também é um impulsionador para o negócio da Padtec?

MA: A IoT não é um gerador de tráfego para a gente, mas também vai empurrar a demanda por fibra para o campo, indústria ou outros setores. E se precisa de fibra, vai precisar de DWDM. Por enquanto, estamos apenas observando e acredito que a IoT vai alcançar seu potencial máximo junto ao 5G.

AS: A vantagem é a quantidade de dados que a Internet das Coisas vai gerar. A nuvem vai ser empurrada junto, porque alguma aplicação vai ter que consumir aquele dado e a tendência é ela estar em nuvem. Mas, hoje, nosso principal driver no Brasil são os pequenos provedores de Internet (ISP, na sigla em inglês).

Confira a continuação da entrevista.

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