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67% da população latino-americana e caribenha não está conectada à rede móvel

Segundo estudo da GSMA, 57% dos habitantes da região estão cobertos por banda larga móvel, totalizando uma população de 363 milhões. Destes, 100 milhões estão localizados no Brasil.

brasileiro usando celularDos 634 milhões de habitantes da Região da América Latina e Caribe, 64 milhões (cerca de 10%) não têm acesso à cobertura de rede de banda larga móvel e apenas 207 milhões (33%) alcançam o sinal e possuem uma assinatura de serviços 3G ou 4G. A imensa maioria, 363 milhões (57%), são cobertos, mas não estão conectados. Os dados são de um estudo da GSMA encomendado pelo programa Sociedade Conectada e divulgado hoje (23/2), durante o Mobile World Congress, realizado em Barcelona (Espanha).

Ainda segundo a pesquisa, das 363 milhões de pessoas sem conexão, 100 milhões residem no Brasil, o maior mercado da região. No resto da região, a falta de demanda varia muito. Em países como Chile e Costa Rica, por exemplo, a proporção de cidadãos com assinatura de banda larga móvel é relativamente alta, mas na Guatemala e Equador, existem lacunas significativas entre a disponibilidade de rede e adoção.

Na visão da GSMA, é necessário que as operadoras móveis e os governos locais colaborem para que os serviços de conectividade e Internet móvel cheguem até a população desconectada. “A banda larga móvel é o principal meio para fornecer acesso à Internet a preços acessíveis em toda a América Latina e Caribe, oferecendo uma gama de benefícios econômicos e sociais”, diz Sebastian Cabello, chefe da GSMA da América Latina.

De acordo com ele, também há o perigo do aumento do “fosso digital” na região, devido a milhões de pessoas incapazes ou sem vontade de utilizar os serviços de banda larga móvel. “Por isso pedimos que os governos trabalhem com a indústria para abordar as barreiras para a adoção e garantir que a Internet móvel seja acessível, útil e compreensível para todos”, diz.

Segundo o estudo, existem quatro barreiras que impedem o aumento da adoção do 3G e 4G na região:

– Ausência de conteúdo local relevante: a pesquisa aponta para uma oferta limitada de conteúdo atraente para a região, tanto em termos de idioma quanto relevância. Segundo os dados de tráfego na Internet, menos de 30% do conteúdo acessado são em línguas locais. Além disso, a maior parte dos aplicativos disponíveis para download são relacionados a entretenimento, criando um equívoco entre os não-usuários de que a Internet é apenas uma ferramenta para lazer. Para a GSMA, a ausência de conteúdo localmente relevante é um fator mais importante do que o custo para o consumidor.

– Falta de conhecimento digital: embora as taxas de alfabetização na região são mais elevados do que a média global, continua a existir uma lacuna na educação digital. A pesquisa mostra que a insuficiência de infraestrutura e de ensino das TIC impedem que usuários móveis explorem os benefícios da Internet.

– Renda e custo: nível de desigualdade de renda também impede a acessibilidade à Internet móvel para as pessoas na base da pirâmide econômica. Para 40% da população da região, o custo com acesso móvel é de 17% de sua renda, em média, enquanto os mais ricos (20% dos habitantes) comprometem apenas 2% dos seus ganhos. A tributação sobre o setor de telefonia móvel, especialmente no Brasil, onde os impostos de consumo representam 30% do custo total de propriedade móvel é outro problema. Na visão da GSMA, a redução deles aplicados em consumidores e operadoras poderia ajudar a melhorar a acessibilidade.

– Cobertura de rede: o fornecimento de cobertura de banda larga móvel a 90% da população da região tem sido uma conquista significativa. No entanto, cobrir as zonas escassamente povoadas (tais como cadeias de montanhas, florestas e ilhas), pode não ser comercialmente viável sem a colaboração e alguma forma de parceria governamental.

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