Especial Futurecom 2014 Consórcio anuncia investimento de US$ 500 milhões na construção do cabo óptico de 10,6 mil km que liga Santos (SP) à Boca Raton, na Flórida, passando por Fortaleza (CE).
Segundo Divino Sebastião de Souza, presidente da Algar Telecom, a manutenção do cabo funcionará como um condomínio, com a divisão de custos proporcional à quantidade cabos. Já o modelo de venda de serviços será diferenciado: cada um dos quatro sócios poderá negociar sua capacidade para outras operadoras, embora o Google já tenha adiantado que usará os cabos a que tem direito somente para seu próprio tráfego.
O novo cabo óptico, que deve ser entregue em 2016 com capacidade para 60 terabits por segundo, terá um papel diferenciado para cada um dos quatro consorciados. No caso da Algar Telecom, a obra amplia a rede da empresa, que já possui um backbone de 14 mil km de fibra óptica instaladas. “Já estamos interligados a Santos, de forma que o novo cabo óptico será interligado facilmente ao backbone nacional”, explica Souza. Ele também adianta que os serviços de uso da rede serão vendidos a qualquer operadora que se habilitar a compra-los. O executivo lembra ainda que cerca de 60% dos dados acessados pelos clientes da Algar acontece em sites internacionais, o que confirmaria a estratégia acertada de entrar como sócio no projeto.
Para a operadora estatal uruguaia Antel, a iniciativa faz parte de um pacote de investimentos de US$ 73 milhões, que compreende sua participação na construção do cabo e mais a ativação de outra infraestrutura óptica, a qual interliga Santos à cidade de Maldonado (são outros 2,5 mil km de rede). Os backbones também turbinam a estrutura da operadora, que atende 70% da população em termos de acesso à internet, sendo 50% da infraestrutura com fibra óptica. O Google, como já foi dito, usará a infraestrutura para o tráfego de seus próprios dados. Christian Ramos, gerente de parcerias de desenvolvimento de infraestrutura de internet para a América Latina, destacou que a América Latina apresenta índices de crescimento de uso de banda larga superiores aos mercados europeu e norte-americano.
A estratégia mais aguerrida, por outro lado, fica com a Angola Cables. Segundo o CEO da empresa, António Nunes, a operadora africana quer tornar-se um hub para a transmissão de dados na África, sendo ponto de interligação entre o continente e a América Latina, América do Norte e Europa. Ele adianta que a empresa vai investir US$ 260 milhões em três projetos: o cabo óptico com a Algar, Antel e Google, um outro cabo partindo da África e chegando à Fortaleza e um data center na capital cearense. Em relação ao segundo cabo óptico, Nunes descartou a sociedade com a Telebras, projeto que foi abortado. Já a construção do data center no Nordeste aproveitaria a oportunidade de mercado ao considerar que Fortaleza também funcionará como um hub para a empresa e já é um concentrador de redes no Brasil.