O anúncio de um financiamento de Série F de US$ 150 milhões para a Claroty, empresa especializada na proteção de sistemas ciber-físicos (CPS), evidencia o ritmo acelerado de amadurecimento do mercado global de cibersegurança voltado à infraestrutura crítica. O aporte foi liderado pela Golub Growth, afiliada da Golub Capital, e contou ainda com a participação adicional de investidores existentes, que podem elevar o montante total para até US$ 200 milhões.
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O investimento será direcionado à expansão global da companhia, combinando crescimento orgânico e aquisições estratégicas, além do avanço de uma plataforma integrada de proteção de CPS com foco industrial. A movimentação ocorre em um contexto de aumento consistente dos ataques cibernéticos com impactos diretos no mundo físico, atingindo ativos como redes de energia, sistemas de abastecimento de água, cadeias industriais e plantas de processamento de alimentos.
De acordo com análises do Gartner, o avanço dos sistemas ciber-físicos tem ampliado o alcance de ataques digitais, como ransomware, para além do ambiente de TI, afetando operações críticas e elevando riscos à segurança nacional e à estabilidade econômica. Esse cenário tem impulsionado investimentos robustos em soluções voltadas à convergência entre os ambientes de tecnologia da informação (TI) e tecnologia operacional (OT).
No Brasil, esse movimento ganha contornos ainda mais relevantes. O país já figura entre os maiores mercados globais de cibersegurança, ocupando a 12ª posição no ranking mundial, segundo levantamento recente publicado pelo IPNews. Ao mesmo tempo, o número de vazamentos de dados registrados no país atingiu um recorde histórico, evidenciando a disparidade entre o tamanho do mercado, o nível de digitalização das empresas e a maturidade efetiva das estratégias de proteção.
A realidade brasileira reflete desafios semelhantes aos observados globalmente no universo de CPS. Líderes de segurança ainda lidam com responsabilidades fragmentadas entre equipes de TI e OT, escassez de profissionais qualificados, ausência de modelos claros de maturidade e dificuldades para mensurar riscos e resultados. Esses fatores deixam operações essenciais expostas justamente em um momento de maior pressão regulatória e de intensificação das ameaças.
Para Yaniv Vardi, CEO da Claroty, a resposta passa por uma abordagem de plataforma. Segundo o executivo, organizações que operam infraestruturas críticas precisam de uma base tecnológica capaz de integrar pessoas, processos e ferramentas para reduzir riscos, manter conformidade e garantir a integridade operacional. “Com o conhecimento profundo de redes CPS e tecnologia avançada, a Claroty está posicionada de forma única para apoiar esse movimento”, afirmou.
Na avaliação da Golub Growth, o investimento acompanha a transformação estrutural do setor. “As soluções da Claroty combinam expertise de domínio com uma plataforma confiável, capaz de reduzir significativamente os riscos enfrentados pelos clientes”, destacou Rob Tuchscherer, diretor executivo sênior da gestora.
O aporte na Claroty sinaliza não apenas a confiança dos investidores no crescimento do mercado de proteção de sistemas ciber-físicos, mas também reforça uma tendência que impacta diretamente o Brasil. À medida que a digitalização avança em setores como energia, saneamento, indústria e transporte, a segurança da infraestrutura crítica deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a ocupar papel central nas agendas de negócios, regulação e desenvolvimento econômico.
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