*Por Ricardo Utz

Estudo conclui que empresas veem GDPR como oportunidade de melhorar privacidade e segurança de dados
A principal diretriz do GDPR permite que os indivíduos controlem seus dados, e, portanto, que as aplicações que solicitam informações pessoais online informem exatamente o que acontecerá com tal conteúdo a partir do momento em que o receberem.
Além disso, a partir da nova lei as empresas têm de informar melhor os usuários sobre como seus dados serão utilizados, garantir o direito à portabilidade das informações, com fácil transferência para outras plataformas, e assegurar o “direito de ser esquecido”, ou seja: que o indivíduo possa excluir completamente seus dados de um app ou site a qualquer momento que desejar, desde que não haja empecilhos legais para a exclusão. Outro direito defendido pelo GDPR é que as pessoas sejam informadas imediatamente se houver vazamento de suas informações.
Para quem desenvolve aplicativos mobile, as rigorosas exigências da nova lei – que, se descumpridas, podem amargar pesadas multas que chegam a 4% do faturamento – determinam mais cuidado. Aqui, algumas dicas para entrar em compliance com o GDPR e mitigar o risco de penalidades.
- Seu app realmente precisa de tantos dados? Antes de criar os formulários de informações pessoais, certifique-se de que pedem somente o que é estritamente necessário para o funcionamento dos recursos do aplicativo.
- Se for necessário salvar dados pessoais dos usuários no aplicativo, use criptografia e informe seus clientes sobre isso.
- Se o app disponibilizar formulários de contato, informe aos usuários como e por quanto tempo as informações ali cadastradas permanecerão armazenadas. E não esqueça de criptografá-las.
- Programe a expiração e destruição dos cookies e sessões sempre após o logout.
- Se o aplicativo é de e-commerce, certamente rastreia a atividade do usuário para análises de Business Intelligence ou Business Analytics. Pois é melhor não fazer isso sem avisar previamente aos envolvidos. Ainda que seja com a melhor das intenções, visando a fazer recomendações que melhorem a experiência do consumidor, estes dados serão monitorados e isso diz respeito à privacidade, que o usuário tem de aceitar compartilhar.
- Usar endereços IP ou locais para controlar autenticação e autorizações é comum no universo dos apps. Com o GDPR, é preciso informar esta prática aos usuários, inclusive detalhando por quanto tempo os logs ficarão salvos no sistema.
- Não formule perguntas de segurança que incluam componentes pessoais (preferências do usuário, nomes de parentes, locais de sua familiaridade etc). A dica é deixar que os usuários criem suas próprias questões, criptografando os dados cadastrados, ou então optar pela autenticação de dois fatores.
- Deixe os termos e condições do app o mais claro e visível possível. E crie mecanismos para se certificar de que os usuários leiam o material.
- Todo e qualquer compartilhamento de dados com terceiros deverá ser informado aos usuários já nos termos e condições de uso.
- Se o app sofrer vazamento de dados, informe os usuários imediatamente e tenha sempre um plano de ação pré-planejado para resolver tais situações no menor tempo e com o menor nível de dano possível.
Ficar atento às obrigatoriedades do GDPR é uma forma de melhorar o a experiência dos usuários de apps como um todo. Uma evolução do mercado que trará benefícios e evitará muita dor de cabeça para todas as partes.
*Ricardo Utz é designer de UI/UX na Aioria Software House.