*Por Edgardo Torres Caballero
Definitivamente somos protagonistas da quarta revolução industrial e a tecnologia é um fator fundamental dessa mudança, mas também é a alavanca da próxima grande onda que envolve os serviços financeiros, a economia digital.
A democratização desses serviços ocorrerá por meio da tecnologia. Somente através dela poderemos proporcionar inclusão financeira e acesso a serviços bancários para um maior número de pessoas. A tecnologia atual oferece infinitas opções para fornecer novas experiências, capacitar usuários e digitalizar a sociedade. Atualmente, através do celular, podemos efetuar pagamentos online e transações financeiras, permitindo o acesso ao banco a todas as classes sociais.
A GSMA (associação que representa os interesses das operadoras móveis mundiais, reunindo 750 operadores e mais de 400 empresas do ecossistema) apresentou a certificação de dinheiro móvel em abril de 2018 (GSMA Mobile Money Certification). Trata-se de um programa global para oferecer serviços financeiros mais seguros, transparentes e resilientes a milhões de usuários. Segundo essa organização, o número de clientes que desfrutam de serviços certificados é de 114 milhões globalmente. O Caribe e a América Latina contam com mais de 21 milhões de contas cadastradas em 17 mercados, onde Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Panamá e Peru se destacam no uso do dinheiro eletrônico, segundo a GSMA.
Da mesma forma, o Apple Pay Cash oferece envio e recebimento de dinheiro de usuário para usuário sem a participação de intermediários financeiros. Essas transações são feitas graças a um cartão virtual associado aos produtos instalados no Google Wallet. Além disso, há uma década as já conhecidas moedas eletrônicas, sendo que a mais utilizada é o Bitcoin, um dos muitos em uma longa lista de dinheiros virtuais que existem hoje.
A modernização já é observada na região, aumentando em média 50% nos últimos dois anos, especialmente em El Salvador, Honduras e Paraguai. Estes países estão entre os 15 principais mercados mundiais em relação à proporção de cidadãos que usam ativamente serviços de dinheiro móvel.
De acordo com dados do mercado, em março de 2018, 91% dos usuários de Internet na União Européia acessaram um site ou usaram um aplicativo mobile de serviços financeiros. E os serviços bancários online foram utilizados por 70% dos usuários da Internet, em comparação com outras indústrias, o setor bancário está adotando com sucesso as tecnologias móveis.
Reduzir o uso de dinheiro suportado por transações digitais é um dos objetivos perseguidos no mundo. Assim como é a redução do uso de papel e de papel-moeda, uma meta para os mercados que querem ser sustentáveis. Na Suécia, por exemplo, apenas 5% das compras no varejo são feitas com dinheiro em papel. Ou no caso da Índia, que reduziu a emissão de papel-moeda.
A mudança para um banco cada vez mais tecnológica e inclusivo está se formando. Temos de aproveitar as vantagens que a tecnologia nos oferece para enfrentar os novos desafios da nova economia digital.
Durante 2019, a implantação das novas redes 5G começará nos Estados Unidos, China, Reino Unido, Japão e Coréia do Sul. Considerando que, na América Latina, segundo a GSMA, o primeiro país a ter esta tecnologia será o México em 2020. As novas redes otimizarão o desempenho das comunicações e haverá mais dispositivos conectados à Internet, que serão a chave para a explosão de novos serviços, como IoT, pagamentos mobile, inteligência artificial e cidades inteligentes e dinheiro móvel também podem ser desenvolvidos. Evidentemente, os avanços tecnológicos promoverão o desenvolvimento da economia digital na América Latina.
É por esta razão que a indústria financeira deve avançar na reconfiguração de uma arquitetura para auxiliar a “Quarta Revolução Industrial”, o setor financeiro reconverter seus serviços e produtos para o novo consumidor, juntamente com o setor de tecnologia com serviços em nuvem, API e plataformas robustas e seguras, alcançarão a “revolução digital e social”.
*Edgardo Torres Caballero é diretor geral da Mambu Américas.
