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Artigo: Instabilidade ocasiona prejuízo ao e-commerce durante Black Friday

*Por Bruno Prado

Com a oportunidade de adquirir produtos com descontos agressivos, milhões de brasileiros aproveitaram a Black Friday para efetuar compras. O cenário, entretanto, pode não ter sido tão favorável para os lojistas. Segundo análise realizada pela One Day Testing, empresa especialista na realização de testes em softwares e plataformas, das 43 lojas monitoradas pela companhia, 83,7% (36 estabelecimentos) apresentaram instabilidade em algum momento durante quatro horas de observação. Além disso, 32% dos e-commerces (14 sites) tiveram problemas de timeout, ou seja, não terminaram o carregamento mesmo após 45 segundos.

Número de transações no e-commerce brasileiro triplicou na Black Friday

A variação no tempo médio de carregamento considerado é de três segundos. Para se ter uma ideia do impacto dessa demora adicional, a Google estima que um site deixe de ganhar R$ 1,5 milhão para cada hora fora do ar. Nesse cenário, apenas as lojas analisadas tiveram um prejuízo de pelo menos R$ 6,4 milhões devido à instabilidade ocasionada pela quantia de acessos simultâneos, o que pode ser agravado com os relatos de experiências negativas pelos consumidores, que podem nunca mais voltar a comprar naqueles estabelecimentos.

Crimes virtuais

Essa instabilidade ou até mesmo indisponibilidade dos serviços podem ter sido ocasionadas por um tráfego malicioso de dispositivos infectados requisitando acesso simultâneo aos sites em questão, por meio de uma modalidade de cibercrime conhecida como ataque de negação de serviço (DDoS).

Mas os varejistas definitivamente não foram os únicos prejudicados na data. O consumidor também sofreu com golpes de ofertas falsas. Segundo pesquisa, foram identificados ao menos 160 tipos de e-mails e sites clonados de grandes lojas, com o objetivo de interceptar dados pessoais e financeiros dos internautas, em uma prática conhecida como phishing.

Esse panorama evidencia a necessidade de gestores de e-commerce reforçarem suas infraestruturas de forma preventiva para as próximas sazonalidades, como o Natal, que já bate à porta. Recomenda-se o uso de ferramentas que monitoram o tráfego na web para evitar ataques DDoS antes mesmo que acontecem, além de soluções para a varredura contínua da web, com o objetivo de encontrar ações suspeitas que levam o nome do estabelecimento. No âmbito da performance, há possibilidades que aceleram o carregamento de sites, como as redes de distribuição de conteúdo (CDN), que hospedam os dados em servidores geograficamente mais próximos do usuário.

Manter um negócio na web é um desafio diário, e todo empreendedor deve ter em mente que a prevenção e a manutenção contínuas são indispensáveis para garantir as vendas. Afinal, a Internet é um ambiente em que pessoas mal-intencionadas agem nas camadas mais profundas, realizando práticas criminosas que ainda são nebulosas para a legislação em vigor.

*Bruno Prado é CEO da UPX Technologies, empresa especializada em performance e segurança digital.

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