*Por Armsthon Zanelato
No final de abril, um apagão de proporções massivas colocou diversos países da Europa, como Portugal, Espanha e Itália, num cenário de verdadeiro caos: redes móveis danificadas, trens sendo esvaziados no meio do seu percurso e cidades no escuro. Ainda é cedo para determinar com exatidão as causas do que ocorreu, mas, ao que parece, trata-se da combinação de uma falha elétrica com um fenômeno atmosférico raro. Da noite para o dia, foi como se algumas das principais cidades do continente tivessem sido “desligadas da tomada”.
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A hipótese de o apagão ter sido resultado de um ataque cibernético muito bem orquestrado diminui, mas o alerta de que isso pode acontecer, não. Um lembrete de que a guerra moderna não é travada apenas com armas convencionais, mas também no espaço digital.
A dependência de sistemas interconectados para a distribuição de energia torna redes elétricas alvos muito atraentes para agentes mal-intencionados. E por um motivo um tanto quanto simples: uma cidade não pode se “dar ao luxo” de ficar no escuro em hipótese alguma. O impacto vai muito além da falta de luz: hospitais em modo de emergência, transportes públicos parados, comunicações interrompidas e a economia sofrendo prejuízos incalculáveis.
O caso europeu ilustra claramente o que pode acontecer quando uma infraestrutura essencial é comprometida. Num caso futuro, em que um ataque cibernético for confirmado como a causa, significa na prática que hackers conseguiram explorar vulnerabilidades em sistemas que ligam cidades inteiras, algo impensável até pouco tempo atrás.
Todo esse cenário levanta a questão: estamos preparados, mundialmente, para que isso não aconteça? Progredimos muito, é verdade, mas a jornada segue longa. Sistemas antigos, falta de investimento em proteção digital e a ausência de protocolos robustos de resposta a incidentes tornam redes elétricas alvos fáceis para grupos criminosos e até mesmo para ataques patrocinados por Estados. Basta lembrarmos de 2022, quando toda a Europa foi colocada em alerta depois de uma usina nuclear ucraniana afirmar ter sido vítima de um ataque hacker russo.
A solução passa por uma abordagem proativa. Ao entendermos que cidades estão quase 100% digitalizadas, o próximo passo é saber que investir em segurança cibernética não é um luxo, mas uma necessidade urgente. Monitoramento contínuo, Inteligência Artificial para detectar padrões suspeitos e simulações de ataques são medidas essenciais para fortalecer defesas.
Além disso, a cooperação internacional é fundamental: um ataque a uma rede elétrica pode ter repercussões globais, exigindo uma resposta coordenada entre países. Individualmente, países e empresas pouco podem fazer contra a sofisticação e escala dos ataques modernos.
O apagão recente serve como um chamado à ação. Se não reforçarmos nossas defesas digitais, um ataque que para toda uma cidade vai bater à porta. A segurança cibernética não pode ser tratada como uma preocupação secundária — ela é a linha de frente na proteção da sociedade moderna. Armsthon Zanelato é Co-CEO da ISH Tecnologia.
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