A expansão da inteligência artificial está mudando as prioridades da infraestrutura corporativa. Em vez de apostar exclusivamente na nuvem pública, empresas brasileiras voltam a dar protagonismo a ambientes internos, nuvens privadas e arquiteturas híbridas para garantir desempenho, controle de dados e segurança em aplicações cada vez mais intensivas em processamento. A conclusão é do Enterprise Cloud Index (ECI) 2026, estudo da Nutanix que revela uma crescente preocupação das organizações com soberania de dados, governança e proteção de informações estratégicas.
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Os dados são do estudo Enterprise Cloud Index (ECI) 2026, da Nutanix, que mostra uma crescente preocupação das empresas com a capacidade de sustentar aplicações de IA sem comprometer governança, soberania de dados e proteção de informações estratégicas. Segundo a pesquisa, 72% dos executivos brasileiros consideram a soberania de dados uma prioridade alta ou obrigatória nas decisões de infraestrutura, enquanto 57% afirmam sentir necessidade de operar sua infraestrutura dentro do próprio país.
O movimento também se reflete na escolha dos ambientes para execução das aplicações. Atualmente, 49% das empresas brasileiras preferem rodar aplicações conteinerizadas em ambientes on-premises ou em nuvens privadas, contra 38% que optam por nuvens públicas.
IA muda prioridades da infraestrutura
A pesquisa indica que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma iniciativa de inovação e passou a influenciar diretamente as decisões de arquitetura tecnológica. À medida que os projetos de IA avançam, cresce a necessidade de ambientes capazes de oferecer baixa latência, maior previsibilidade operacional e controle sobre os dados utilizados para treinamento e execução dos modelos.
O estudo aponta que 86% dos executivos brasileiros acreditam que a IA está acelerando a adoção de containers nas organizações, enquanto 71% já utilizam essa tecnologia para desenvolver novas aplicações de inteligência artificial.
O principal motivador para essa modernização é o desempenho. Quase metade dos entrevistados (48%) afirma que ganhos de velocidade, confiabilidade e escalabilidade são as principais razões para ampliar o uso de containers nos próximos 12 meses.
Segundo a Nutanix, a tendência demonstra que as empresas querem modernizar seus ambientes sem abrir mão da proximidade com os dados e da capacidade de controlar onde as informações são armazenadas e processadas.
Segurança e governança ganham protagonismo
A disseminação acelerada da IA também expõe novos riscos. O levantamento mostra que 81% dos executivos brasileiros acreditam que o uso não supervisionado de ferramentas e agentes de IA representa uma ameaça para os negócios. Além disso, 74% afirmam já ter encontrado aplicações ou agentes de IA implementados fora da supervisão da área de TI.
O fenômeno, conhecido como shadow AI, tem levado empresas a reforçar mecanismos de governança e monitoramento. Outro dado relevante é que 82% dos entrevistados consideram que os silos entre áreas de negócio e TI prejudicam a execução de iniciativas tecnológicas.
Para especialistas do setor, esse cenário ajuda a explicar a retomada dos investimentos em infraestrutura própria e em arquiteturas híbridas. A necessidade de garantir conformidade regulatória, proteger propriedade intelectual e controlar o fluxo de dados torna menos atraente a dependência exclusiva de ambientes públicos.
Ambição em IA supera preparação tecnológica
Apesar do avanço dos projetos de inteligência artificial, a infraestrutura ainda é um gargalo para muitas organizações. O estudo global mostra que 59% das empresas esperam operar mais de cinco aplicações de IA nos próximos três anos. No entanto, 82% admitem que sua infraestrutura atual ainda não está totalmente preparada para suportar cargas de trabalho de IA em ambientes locais.
Para Leonel Oliveira, diretor-geral da Nutanix Brasil, a combinação entre segurança, flexibilidade e governança será determinante para o sucesso das iniciativas de IA.
“As organizações precisam de segurança, resiliência, flexibilidade e portabilidade para suportar cargas de trabalho de IA em qualquer lugar”, afirma o executivo.
O cenário revela uma mudança de percepção no mercado. Em vez de substituir a infraestrutura interna, a inteligência artificial está fortalecendo a importância de ambientes próprios e híbridos, capazes de equilibrar inovação, desempenho e proteção de dados. Para muitas empresas, o futuro da IA passa menos por escolher entre nuvem ou data center e mais por integrar os dois mundos com eficiência e governança.
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