De acordo com estudo de junho de 2019 da Frost & Sullivan, o Brasil deve faturar US$ 2,2 bilhões com o mercado de Internet das Coisas (IoT) este ano, o que representa quase 45% de todo o mercado latino-americano. A liderança é explicada, segundo Paulo Spacca, vice-presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), tanto por causa do tamanho do mercado brasileiro quanto das políticas de regulamentação e incentivo, que tem ajudado a diminuir a burocracia e a tributação no setor.
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Spacca deve assumir a presidência da Abinc em janeiro, após recente eleição da associação, e explicou como o mercado de IoT tem se desenvolvido no Brasil e também sobre a iniciativa de criar uma plataforma, chamada de Conexão IoT, para conectar os atores do setor. Confira a entrevista.
PORTAL IPNEWS: Os números do estudo da Frost & Sullivan colocam o Brasil na liderança da IoT na América Latina. Quais os motivos para isso?
Paulo Spacca: Primeiro, pelo tamanho da população e do território do País, que gera muita demanda para o setor. Depois, temos políticas que incentivam o desenvolvimento de IoT, como o Plano Nacional de IoT e a reforma da Lei Geral de Telecomunicações (LGT), trazendo melhor regulamentação à área e transmitindo mais confiança. Isso nos coloca à frente dos vizinhos, tanto em burocracia quanto em tributação.
PORTAL IPNEWS: Como a Abinc vê a implementação do Plano Nacional de IoT? Não está caminhando lentamente?
PS: O primeiro projeto já está encaminhado (em referência aos recursos para o projeto de cidade inteligente em Campinas). A implementação do Plano está começando a ter maturidade e 2020 devem ocorrer mais projetos. O tempo é este mesmo e a curva pode não ser tão exponencial, mas é crescente e acompanha a maturidade do setor.
PORTAL IPNEWS: Qual a expectativa da cobrança de tributação do setor?
PS: O MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações) já indicou que não pretende cobrar. Agora estamos brigando para que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) não aplique o Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) não se aplique a dispositivos de IoT. A expectativa é de que seja uma cobrança minúscula.
PORTAL IPNEWS: A Abinc lançou uma plataforma para conectar desenvolvedores de soluções de IoT?
PS: A Conexão IoT é uma forma de aproximar o ecossistema de desenvolvimento, reunindo agentes públicos e privados, conectando a academia, empresas, desenvolvedores e consumidores. O objetivo é conectar quem demanda uma solução quem a desenvolve.
PORTAL IPNEWS: Como funciona? É uma plataforma online parecida como uma rede social?
PS: A melhor analogia é com o LinkedIn, pois a Conexão IoT é uma rede de negócios segmentada em grupos de discussão com temas que tocam nos mesmos quatro pilares do Plano Nacional (cidades inteligentes, agronegócio, indústria e saúde), além de segurança da informação, legislação e tributação e rede. Para entrar, é preciso ser convidado por um integrante.
PORTAL IPNEWS: Os associados da Abinc terão alguma vantagem?
PS: Hoje, a plataforma só está disponível para afiliados da Abinc e convidados e o lançamento geral deve ocorrer no primeiro trimestre de 2020. Ainda estamos pensando se a plataforma pode vir a ser paga e, no momento, estamos disponibilizando alguns conteúdos, como webinars. Também estamos negociando para termos cursos EaD para associados e também para quem não é.
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