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CEOs defendem profissionalização, escala e cooperação entre ISPs no Abrint Global Congress 2026

Um dos pontos altos do evento Abrint Globall Congress 2026, nesta quarta-feira, 06, foi o o painel que reuniu grandes líderes de grandes ISPs (Internet Service Providers) para discutir o futuro dos provedores regionais no Brasil. Mediado por Breno Vale, presidente da Abrint, o painel de CEOs trouxe reflexões sobre profissionalização da gestão, inovação tecnológica, consolidação de mercado e o novo cenário competitivo dos ISPs.

Participaram do painel José Roberto, CEO da Brisanet; Cristiano Santana, CEO da ZaaZ; Rodrigo Pedrosa, CEO da DTEL; Fabiano Busnardo, CEO da Unifique. Ao longo do debate, os executivos defenderam que o crescimento sustentável das operadoras exige mais do que expansão de rede. Para eles, o setor entrou em uma nova fase, marcada por gestão estruturada, governança, inteligência de dados e busca por escala operacional.

Crescimento exige mudança de gestão

Um dos principais temas abordados foi a transformação dos provedores familiares em empresas estruturadas, preparadas para operar em um mercado mais competitivo e regulado. José Roberto Nogueira relembrou a trajetória da Brisanet desde sua fundação, em 1998, destacando que a companhia passou anos operando de forma semelhante à maioria das empresas brasileiras, focada principalmente na área técnica e na expansão do negócio. Segundo ele, o primeiro grande passo de profissionalização ocorreu em 2015, com a realização do primeiro balanço auditado da companhia.

“O crescimento exige regularização, governança e credibilidade. Quando a empresa cresce, ela precisa definir estratégia, criar conselho, estabelecer políticas e alinhar o time”, afirmou. O executivo destacou ainda que a transformação da Brisanet em sociedade anônima e sua preparação para o mercado de capitais exigiram profundas mudanças culturais e organizacionais. Hoje, com cerca de 9 mil colaboradores, a empresa vive um processo contínuo de amadurecimento da gestão.

Fabiano Busnardo, da Unifique, reforçou que existe um momento adequado para estruturar a companhia, mas alertou que muitos empresários acabam percebendo tarde a importância da organização interna. “Às vezes fica a sensação de que deveríamos ter começado antes. Mas também não adianta precipitar. Existe um tempo certo para organizar a casa e preparar a empresa para crescer”, afirmou.

Planejamento substitui improviso

Para Cristiano Santana, CEO da ZaaZ, o empreendedor que deseja expandir sua operação precisa abandonar o improviso e trabalhar com planejamento financeiro e estratégico. “O empreendedor brasileiro começa o negócio pulando do penhasco e montando o avião no meio da queda. Mas depois que a empresa nasce, crescer exige planejamento, disciplina e execução organizada”, disse.

Segundo o executivo, o crescimento sustentável depende de clareza sobre objetivos, ritmo de expansão e capacidade financeira. “Não é preciso dar passos largos o tempo inteiro. É preciso entender até onde é possível ir e buscar parceiros quando necessário”, acrescentou.

Rodrigo Pedrosa, da DTEL, disse que a intuição do empreendedor continua importante, mas perde espaço quando a operação ganha escala. Para ele, decisões precisam ser sustentadas por dados concretos e inteligência operacional. “Não basta tomar a decisão certa. É preciso tomar a decisão certa na hora certa”, destacou.

Para Pedrosa, informações de atendimento e suporte passaram a ser ativos estratégicos para orientar decisões dentro das empresas. Segundo ele, processos mais colaborativos ajudam a reduzir erros e amadurecer a gestão.

IA, automação e experiência do cliente entram no centro da estratégia

A discussão sobre inovação também ocupou espaço relevante no painel. Os CEOs concordaram que não existe uma única tecnologia capaz de transformar o setor, mas defenderam que inteligência artificial, automação e sistemas de gestão terão papel central nos próximos anos.

Fabiano Busnardo afirmou que a Unifique tem ampliado investimentos em plataformas de gestão operacional e comercial, apostando no avanço da inteligência artificial para elevar produtividade e melhorar a experiência do cliente. “O setor precisa usar tecnologia para aumentar eficiência, reduzir custos e continuar competitivo”, afirmou.

O executivo também reconheceu que o mercado ainda busca modelos realmente escaláveis de serviços de valor agregado. Segundo ele, muitas iniciativas testadas nos últimos anos não conseguiram gerar relevância financeira significativa para os provedores.

Apesar disso, destacou que a entrada da Unifique na operação móvel vem abrindo uma nova avenida de crescimento. Segundo Busnardo, o segmento já representa entre 6% e 7% do faturamento da companhia e segue acelerando.

José Roberto Nogueira também apontou a mobilidade como um dos movimentos mais transformadores para o setor. Ele relembrou a trajetória tecnológica da Brisanet, desde as redes rádio até a implementação da fibra óptica residencial e, agora, a expansão no mercado móvel. “O próximo desafio não será apenas entregar conectividade. Será garantir estabilidade, baixa latência e suportar os novos serviços digitais que vão rodar sobre essas redes”, afirmou.

Cooperação entre provedores ganha força

Outro consenso entre os participantes foi a necessidade crescente de cooperação entre ISPs para enfrentar os desafios do mercado. Rodrigo Pedrosa afirmou que provedores precisam deixar de enxergar concorrentes apenas como adversários e buscar mais integração operacional e comercial.

“A conectividade já está dentro da casa do cliente. O provedor precisa entender o valor estratégico disso e ampliar sua atuação”, disse. O executivo defendeu movimentos de consolidação, compartilhamento de estrutura e maior sinergia entre empresas regionais. Segundo ele, a escala será decisiva para manter competitividade nos próximos anos.

“A tendência é de integração. Se não houver fusão, pelo menos precisa existir mais cooperação”, afirmou.

Mercado mais competitivo exige gestão profissional

Na reta final do painel, os CEOs analisaram as ameaças ao modelo de negócio dos provedores regionais. Para Fabiano Busnardo, o mercado deixou para trás a fase de crescimento automático impulsionado pela demanda reprimida por banda larga. “O mercado amadureceu. Hoje não basta mais abrir rede e esperar o cliente chegar. É preciso vender, treinar equipes e disputar experiência”, destacou.

O CEO da Unifique também chamou atenção para temas regulatórios, especialmente os desafios envolvendo ocupação de postes e organização da infraestrutura compartilhada.

Já José Roberto Nogueira alertou para o risco da pressão excessiva sobre preços da banda larga no Brasil. Segundo ele, manter redes modernas e de alta qualidade exige investimentos contínuos, enquanto o consumidor brasileiro se tornou cada vez mais exigente. “O cliente exige estabilidade, baixa latência e qualidade. E isso exige investimento permanente”, afirmou.

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