A Ericsson anunciou uma nova etapa em sua estratégia de redes inteligentes ao lançar o AI in RAN, solução que incorpora inteligência artificial diretamente na rede de acesso por rádio (RAN) das operadoras móveis. A proposta é utilizar modelos de IA executados em tempo real dentro da própria infraestrutura 5G para aumentar a capacidade da rede, melhorar a eficiência energética e ampliar os níveis de automação operacional.
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A novidade chega em um momento em que o crescimento das aplicações baseadas em inteligência artificial, computação em nuvem e serviços digitais de baixa latência aumenta a pressão sobre as redes móveis. Segundo a fabricante sueca, a solução permite que operadoras extraiam mais desempenho de suas redes atuais sem a necessidade de adicionar novos equipamentos ou substituir a infraestrutura instalada.
O AI in RAN utiliza modelos de IA desenvolvidos especificamente para ambientes de telecomunicações, capazes de operar com latência na escala de microssegundos diretamente em rádios e equipamentos de banda base. Diferentemente de modelos genéricos de inteligência artificial, a tecnologia foi treinada para lidar com variáveis típicas das redes móveis, como interferências, mobilidade dos usuários e oscilações de tráfego.
Entre as principais mudanças tecnológicas está a introdução de recursos de otimização automática da rede baseados em IA. A plataforma passa a gerenciar de forma dinâmica parâmetros como alocação de espectro, coordenação entre camadas da rede, formação de feixes de sinal (beamforming) e adaptação de enlaces de rádio, reduzindo a necessidade de intervenções manuais e aumentando a eficiência operacional.
Outro avanço é a incorporação de capacidades de IA agêntica, que permitem que a própria rede tome decisões e execute ações de forma autônoma para otimizar seu funcionamento. Na prática, isso abre caminho para operações mais automatizadas, capazes de identificar problemas, corrigir falhas e ajustar recursos em tempo real.
A Ericsson também destaca ganhos relevantes em eficiência energética. A inferência dos modelos de IA ocorre utilizando recursos computacionais já incorporados à infraestrutura da companhia, incluindo seus processadores dedicados para redes móveis e os aceleradores de redes neurais presentes nos rádios Massive MIMO mais recentes. Com isso, a execução dos algoritmos ocorre com menor consumo energético e sem exigir hardware adicional.
Os resultados obtidos em mais de 15 implementações e testes realizados globalmente indicam ganhos de até 20% na taxa de transmissão de dados em downlink e aumento de até 10% na eficiência espectral. A empresa afirma ainda que a tecnologia pode dobrar a capacidade de atendimento a usuários com alto consumo de dados, além de elevar significativamente a precisão de serviços de localização baseados na rede móvel.
A plataforma também prepara as operadoras para a evolução das redes em direção ao conceito de AI-native RAN, arquitetura em que a inteligência artificial deixa de ser um recurso complementar e passa a fazer parte da estrutura central da rede. Essa transformação é vista pela indústria como um dos pilares para o desenvolvimento das futuras redes 6G e para o suporte a aplicações avançadas de IA, automação industrial, veículos conectados e sistemas autônomos.
Os primeiros recursos do AI in RAN começaram a ser disponibilizados comercialmente no segundo trimestre de 2026, com novas funcionalidades previstas ainda para este ano. Entre elas estão mecanismos de gerenciamento inteligente de espectro, observabilidade avançada baseada em IA e recursos de otimização automática do desempenho da rede.
Para as operadoras, a principal promessa da Ericsson é permitir ganhos de capacidade, cobertura e eficiência utilizando a infraestrutura 5G já instalada, reduzindo investimentos adicionais e acelerando a adoção de redes preparadas para a crescente demanda por aplicações baseadas em inteligência artificial.
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