A HPE Networking realizou seu primeiro grande evento conjunto com a Juniper no Brasil após o início do processo de integração global entre as duas marcas. Em entrevista ao Portal IPNews, Flávio Póvoa, gerente de engenharia de sistemas da HPE Networking Brasil, explicou como a convergência dos portfólios está acelerando a criação de redes autônomas, reforçando a segurança e respondendo à crescente demanda por desempenho, observabilidade e resiliência.
CONTEÚDO RELACIONADO – HPE Networking inicia fase integrada com Juniper e confirma 02 de janeiro como marco operacional
Segundo o executivo, o fato mais relevante desta nova fase é que as equipes de desenvolvimento das duas empresas passaram a trabalhar sob uma mesma estrutura, com visão unificada de evolução tecnológica. Para Póvoa, isso garante previsibilidade ao mercado e elimina dúvidas sobre a continuidade das plataformas Aruba e Juniper, que seguem com roadmap preservado e agora fortalecidos por um processo que a empresa chama de “polinização cruzada”, no qual as melhores capacidades de cada sistema são incorporadas ao outro.
Essa integração impulsiona o avanço das chamadas redes autônomas. Tanto a plataforma Mist (Juniper) quanto o Aruba Central já operavam com altos níveis de telemetria e automação, mas agora ampliam a capacidade de identificar padrões anômalos, corrigir falhas de forma automática e reduzir a necessidade de intervenção humana. Casos práticos já estão disponíveis no mercado, como a correção automática de problemas de roaming entre access points e a restauração de operação de câmeras e dispositivos IoT que deixam de responder, permitindo que sensores críticos, pontos de videomonitoramento e equipamentos industriais tenham seu funcionamento recuperado pela rede, sem depender de ação manual.
Outro destaque apresentado é o UXI, plataforma SaaS agnóstica capaz de simular a experiência real do usuário, avaliando desde a conexão Wi-Fi até chamadas de vídeo, serviços de voz e acesso a aplicativos corporativos. Para Póvoa, essa visão independente da infraestrutura instalada é essencial para antecipar problemas e manter a qualidade da experiência digital.
A integração entre HPE Networking e Juniper também responde diretamente às dores mais frequentes das empresas brasileiras. A má qualidade em chamadas de vídeo segue como um dos pontos mais citados pelos clientes, com travamentos e perdas de áudio que, segundo o executivo, podem ser atribuídos tanto ao endpoint quanto à rede ou ao próprio aplicativo – algo que as novas plataformas conseguem identificar com precisão. Outra preocupação crescente é a visibilidade de dispositivos IoT (internet das coisas), como câmeras, sensores, máquinas industriais e equipamentos médicos. Póvoa lembra que esse tipo de ativo, quando não monitorado, abre brechas críticas de segurança e já foi usado em ataques discretos, como a invasão de TVs corporativas para coleta de dados. Nesse contexto, redes segmentadas, observáveis e integradas a mecanismos de IA deixam de ser diferencial e passam a ser elemento básico de defesa.
O movimento de retorno de aplicações do cloud para data centers próprios, motivado por custos, regulação ou soberania, também aumenta a complexidade operacional. A HPE mostrou durante o evento como está levando para ambientes on-premises o mesmo nível de automação e inteligência já comum em ofertas de nuvem, reduzindo erros humanos e fortalecendo resiliência.
A pressão dos projetos de inteligência artificial é outro fator determinante. Empresas que treinam modelos próprios precisam de redes de alta velocidade, com capacidade para interligar GPUs e workloads intensivos. Já aquelas que consomem IA em nuvem dependem de maior banda, menor latência e monitoramento em tempo real da experiência do usuário. Em ambos os casos, a visibilidade ponta a ponta passa a ser indispensável.
No campo da segurança, Póvoa destaca que a evolução dos ataques, incluindo deepfakes e automação maliciosa, torna obrigatório adotar modelos baseados em Zero Trust, microsegmentação e detecção contínua de anomalias. Como exemplo, menciona situações em que um dispositivo IoT passa a enviar tráfego incomum para a nuvem, comportamento típico de vazamento de dados, e que hoje pode ser rapidamente identificado e isolado pelas plataformas integradas.
A integração entre Aruba e Juniper não elimina a oferta para empresas menores, ainda atendidas pelo portfólio Instant On, mas reposiciona a combinação de tecnologias para organizações que exigem maior confiabilidade operacional, seja em ambientes corporativos, industriais ou educacionais.
Para 2026, a mensagem da HPE Networking ao mercado é clara: clientes das duas marcas podem manter plena confiança nos investimentos realizados, enquanto novos usuários terão acesso a uma plataforma unificada capaz de automatizar grande parte das tarefas operacionais e liberar equipes de TI para focar em segurança, inovação e expansão. “Nosso papel não é apenas conectar dispositivos, mas permitir que as empresas reduzam a carga de trabalho operacional e se concentrem no que realmente gera valor”, concluiu Póvoa.
Participe das comunidades IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn e X
