O relatório Measuring Digital Development – Facts and Figures 2025, publicado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), confirma que a conectividade mundial continua avançando, mas em ritmo mais lento e com assimetrias profundas entre países e regiões. Os dados mostram que o setor de telecomunicações entra em um ciclo em que expansão de rede, modernização tecnológica e acessibilidade passam a determinar o alcance do crescimento.
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Em 2025, a UIT estima que 74% da população mundial esteja online, o equivalente a 6 bilhões de pessoas, um aumento de 3,3% em relação a 2024. Esse avanço, porém, não acompanha o ritmo da década anterior, sugerindo que a inclusão dos próximos usuários será mais complexa à medida que a conectividade chega a regiões de menor viabilidade econômica e maior desafio geográfico. Ainda há 2,2 bilhões de pessoas desconectadas no mundo, com concentração expressiva em países de baixa renda.
A evolução da infraestrutura móvel ilustra essa desigualdade. O relatório mostra que o 5G já cobre 55% da população mundial, apenas seis anos após seu lançamento comercial. No entanto, a diferença entre países é marcante: a cobertura alcança 84% da população nos países de alta renda, mas apenas 4% nos países de baixa renda. A UIT destaca que as regiões com maior avanço combinam competição entre operadoras, disponibilidade de espectro e forte presença de fibra óptica para suportar redes de alta capacidade.
Mesmo com o avanço do 5G, o 4G permanece como a base global da conectividade móvel, cobrindo 93% da população. Mas essa média esconde um cenário desigual, já que a cobertura cai para 56% nos países de baixa renda. A organização observa que a expansão das redes para os últimos grupos desconectados está se tornando mais lenta, sobretudo em áreas rurais onde o retorno financeiro é limitado.
O tráfego de dados continua a pressionar as infraestruturas. Em 2025, o tráfego móvel deve atingir 1,5 zettabyte, enquanto o tráfego em redes fixas deve alcançar 7,3 zettabytes, quase cinco vezes mais que o móvel. A UIT destaca que uma assinatura de banda larga fixa gera, em média, 369 GB por mês, enquanto uma assinatura móvel produz 15 GB mensais, reforçando a centralidade das redes fixas para aplicações intensivas em dados, streaming, ensino remoto e atividades corporativas.
No mercado móvel, o relatório mostra que existem 9,2 bilhões de assinaturas móveis no mundo, ou 112 assinaturas por 100 habitantes. O número reflete penetração elevada, impulsionada pela popularização dos smartphones. Entre as assinaturas de banda larga móvel, 36% já utilizam 5G, percentual que varia amplamente entre regiões e grupos de renda.
O tema da acessibilidade financeira permanece central no relatório. Globalmente, o custo do pacote móvel de 5 GB representa 1,4% da renda per capita média, enquanto o pacote fixo representa 2,5%. O cenário se altera drasticamente entre países: nações de baixa renda registram valores médios de 9,4% da renda para o pacote móvel e 28,4% para o pacote fixo – níveis muito acima da meta internacional de 2% defendida pela Broadband Commission. A UIT alerta que o preço dos serviços segue como uma barreira crítica à expansão da conectividade, mesmo em regiões já cobertas por redes modernas.
Outro ponto de destaque é a diferença entre propriedade de celulares e uso da internet. Globalmente, 76% da população possui um telefone celular, enquanto 74% utiliza a internet, o que significa que as barreiras de acesso não se concentram apenas na disponibilidade de dispositivos, mas também em fatores como preço, qualidade de serviço, limitações de alfabetização digital e relevância do conteúdo online.
No conjunto, os dados do relatório apontam para um momento de transição no setor de telecomunicações mundial. A universalização da internet depende cada vez mais de políticas públicas, investimentos direcionados e modelos de negócios que permitam chegar a usuários em áreas remotas ou de baixa renda. Ao mesmo tempo, a demanda crescente por tráfego e a migração de serviços para plataformas digitais exigem redes mais robustas, ampliação da fibra óptica e expansão contínua da capacidade móvel.
O relatório evidencia que o setor global de telecom entra em uma fase em que crescimento e maturidade coexistem: enquanto regiões avançadas aceleram 5G e redes de alta capacidade, mercados em desenvolvimento ainda lidam com desafios básicos de acesso, preço e cobertura. A trajetória dos próximos anos dependerá da capacidade de equilibrar esses dois movimentos de forma sustentável.
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