O Marco Civil da Internet, aprovado ano passado e ainda em fase de produção de norma complementar, vem sendo posto à prova pela indústria de telefonia móvel com promoções ousadas – como a lançada pela Claro em abril, na qual franqueava o acesso gratuitamente ao Facebook, WhattsApp e Twitter, desde que o cliente tivesse um plano de dados, pré-pago ou pós-pago, de qualquer valor.

Necessário salientar que, a prática do bloqueio começou a ocorrer tão logo ficou definido pelo Marco Civil da Internet que as operadoras não poderiam cobrar por tipo de conteúdo. Antes apenas a velocidade era reduzida, mas o consumidor continuava a navegar. A única alternativa para não ser bloqueado, exceto para os consumidores do Mato Grosso (agora em questão), é a compra de pacotes de dados mais caros.
O que se pode abstrair desse cenário do mercado de telefonia móvel brasileiro? Primeiramente, a insólita relação de amor e ódio entre as operadoras de telefonia móvel e os aplicativos genericamente denominados OTT’s (Over the Top), que rodam em aplicativos móveis com acesso a internet, sendo os principais deles o WhattsApp, Skype, Facebook, entre outros, que ao mesmo tempo que roubam bilionárias receitas das operadoras de telefonia em todo o mundo, cativam o consumidor por fazerem com que ele não desgrude do smartphone. Isso mesmo, hoje o celular serve até pra telefonar!
Outro fato que podemos constatar é o modo como as operadoras de telefonia lidam com esse fenômeno, se aliando a tendência ou procurando gerenciar a situação com o fito de preservar suas receitas. Eis aqui um ponto relevante para a qualidade da telefonia móvel, que demanda grandes investimentos, seja na manutenção do sistema atual, seja na constante expansão da rede e atualização de tecnologias.
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Hoje, mais da metade das Estações Radio Base (ERB) do Brasil são 2G ou 3G – embora nas propagandas muito se fale de 4G, que na prática existe somente em grandes cidades. Com a Internet das Coisas que está por vir, a rede promete crescer em ritmo exponencial. Como as empresas de telecomunicação vão financiar essas redes em um cenário de escassez de recursos?
Ciente dessas demandas, o CIO Global da Telefonica, Phil Jordan, declarou recentemente que as empresas de telefonia móvel precisam “se mexer” agora para não perderem mais receitas. E ele tem toda razão. Quem já tiver usado o Skype ou o WhattsApp para ligações internacionais de seu smartphone no exterior, economizando muito dinheiro em tarifas, sabe bem do que estou falando.