Durante o BASF Agro Digital Day, evento virtual realizado hoje (27/11) pela BASF, Matheus Munhoz, líder de projeto da Boston Consulting Group (BCG), apresentou como o produtor rural da América Latina enxerga a adoção de tecnologia no campo. Segundo ele, no Brasil, o principal gargalo está no acesso a financiamento, que muitas vezes é voltado para a produção em si, e não para a tecnologia que dá suporte ao negócio.
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Ele lembra que até há disponibilidade de crédito, como o caso do Plano Safra do governo federal e de outras iniciativas de crédito privado. No entanto, são todas voltadas para o investimento na produção, principalmente para a compra de insumos (sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas etc.). Por isso, ele defende que é preciso financiamento específico para o investimento na atualização tecnológica do setor.
Munhoz explica que a falta de crédito aumenta a percepção de risco do investimento em tecnologia, pois muitos produtores ainda não enxergam o potencial da inovação nos negócios. Para eles, dedicar mais recursos à tecnologia ao invés da produção não parece rentável.
Pesquisas da BCG com produtores latino-americanos ainda trazem dados interessantes sobre o perfil de investimento na região:
- o fator da idade dos produtores é mais relevante que tamanho de propriedade para adoção de tecnologia na agricultura. Quanto mais jovem, maior é o interesse na tecnologia, enquanto o tamanho do terreno não influencia tanto a decisão;
- na pecuária, a situação é diferente. Quanto maior o tamanho da propriedade, mais a tecnologia parece atrativa;
- a adoção de tecnologia é menor que entre agricultores, inclusive por falta de conhecimento.
IA pode trazer mais eficiência ao campo
Munhoz destacou que o principal foco do investimento em tecnologia deve ser na integração dos dados para que eles gerem valor ao negócio. Neste ponto, a inteligência artificial (IA) pode fazer a diferença. “A IA vai ajudar a integrar dados de previsão de demanda, clima e colheita, contribuindo para melhores tomadas de decisão, aumentando a eficiência e/ou reduzindo custos”, destacou ele.
Ele ainda aponta que o maior retorno financeiro será na ponta. “A medida como esses serviços forem se desenvolvendo, a ideia é que as soluções se tornem autônomas e que as decisões de negócio sejam mais eficientes.”
Para que isso seja alcançado, ele ainda aponta para dois desafios — além do acesso ao crédito — que precisam ser vencidos. O primeiro é o suporte técnico para auxiliar os produtores na adoção completa da tecnologia, desde o básico até o mais inovador. Também será necessário estabelecer métricas para medir a eficiência do uso da tecnologia e para que isso se reproduza pelo mercado a partir de cases de sucesso.
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