Pesquisa mostrou que uma proporção maior das crianças acessou a rede pela primeira vez até seis anos de idade
A idade do primeiro acesso à Internet por crianças brasileiras vem se antecipando nos últimos anos. A TIC Kids Online Brasil 2023, lançada nesta quarta-feira (25/10) pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mostrou que 24% dos entrevistados relataram ter começado a se conectar à rede na primeira infância, ou seja, até os seis anos de vida. A título de comparação, na edição de 2015, essa proporção era de 11%.
Para o Cetic.br, a pesquisa mostra tendência crescente de uso da Internet já na primeira infância, fenômeno que reforça a necessidade de dados robustos acerca das oportunidades e dos riscos online vivenciados por crianças e adolescentes. É preciso que políticas e ações sejam criadas para garantia dos seus direitos e proteção.
A presença em redes sociais, por exemplo, começa logo cedo. Segundo a pesquisa, 88% da população brasileira de 9 a 17 anos disse manter perfis em plataformas digitais. Entre 15 e 17 anos, a proporção foi de 99%. O Instagram (36%) é a plataforma mais usada pelos usuários de Internet de 9 a 17 anos, frente ao YouTube (29%); TikTok (27%) e o Facebook (2%).
Conforme o levantamento, 88% das crianças e adolescentes ouvidas tem acesso ao YouTube. Já 78%, disseram ter WhatsApp, 66% ter Instagram; 63% TikTok e 41% Facebook. Nas faixas de 9 a 10 anos e de 11 a 12 anos, o YouTube lidera em termos de uso com 42% e 44%, respectivamente. Já nas faixas de 13 a 14 anos (38%) e de 15 a 17 anos (62%), predomina o uso do Instagram.
Dispositivos de acesso
Atualmente, 95% da população de 9 a 17 anos é usuária de Internet no país, o que representa 25 milhões de pessoas. Os dispositivos para acesso à internet são celular, televisão, computador e videogame, sendo que o celular foi apontado como um dispositivo de acesso para 97% dos usuários, e é o único meio de conexão à rede para 20% dos entrevistados. Considerando-se somente as classes DE, essa proporção chega a 38%.
Obviamente, limitações na disponibilidade de dispositivos podem restringir os benefícios e ampliar as desigualdades entre indivíduos em diferentes contextos socioeconômicos. No Brasil, o celular ainda é o único dispositivo para conexão à Internet para parcela importante de crianças e adolescentes, sobretudo das classes DE, como destaca a pesquisa.
O acesso à Internet pela televisão tem aumentado ano a ano entre crianças e adolescentes de todos os estratos sociais. Neste ano, a porcentagem de conexão à rede pela televisão chegou a 70%, sendo que a proporção é de 88% entre os pertencentes às classes AB, 75% para a classe C, e 54% para as classes DE. Em 2019, 43% se conectavam via TV; em 2022, 63%.
Já o uso de computadores para acesso à rede para esta faixa etária permaneceu estável (38%) em relação a 2022 (43%). Pouco disponível para os usuários das classes DE (15%), segue predominando nas classes AB (71%) – na classe C é utilizado por 41%.
Contato com publicidade e propaganda online
Pela primeira vez, a pesquisa coletou dados sobre habilidades digitais críticas e indicadores relacionados com consumo. O estudo revelou que 78% dos usuários de 11 a 17 anos concordam que empresas pagam pessoas para usar seus produtos nos vídeos e conteúdos que publicam na Internet, enquanto 59% disseram que assistiram a vídeos de “pessoas ensinando como usar algum produto” e de “pessoas abrindo a embalagem de algum produto”.
Isso significa que, apesar de crianças e adolescentes concordarem que pessoas são pagas para falar sobre produtos, nem sempre reconhecem que estão diante de uma comunicação mercadológica quando veem vídeos com pessoas usando ou abrindo embalagens de produtos.
O estudo mostra ainda que 50% dos usuários de 11 a 17 anos pediram aos responsáveis a compra de algum produto, após contato com propaganda ou publicidade, e somente 28% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos têm pais, mães ou responsáveis que afirmam utilizar “filtros” ou configurações que restrinjam o contato com propaganda na rede.
Roupas e sapatos (60%) foi a categoria de produtos mais vista em publicações online, seguida por equipamentos eletrônicos (52%), comidas e bebidas (49%), maquiagens e outros produtos de beleza (45%) e videogames ou jogos (41%).
Publicações com roupas e sapatos foram vistas por 72% das meninas e 48% dos meninos. Já as sobre videogames ou jogos foram vistas por 26% das meninas e 56% dos meninos. Ainda conforme o levantamento, 46% dos usuários de Internet de 15 a 17 anos reportaram seguir página ou perfil de algum produto ou marca.
De acordo com a pesquisa, 76% dos entrevistados disseram ser “verdade” ou “muito verdade” que sabiam escolher que palavras usar para encontrar algo na Internet. O percentual daqueles que reportaram que sabiam verificar se uma informação encontrada na rede estava correta foi menor (58%).
Quase metade (47%) dos usuários nessa faixa etária concordou que todos encontram as mesmas informações quando pesquisam coisas na Internet e, para 40%, o primeiro resultado da pesquisa na rede é sempre a melhor fonte de informação.
Sobre a pesquisa
A 10ª edição da pesquisa TIC Kids Online Brasil entrevistou presencialmente 2.704 crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos, assim como seus pais ou responsáveis, em todo o território nacional. As entrevistas aconteceram entre março e julho de 2023.
A TIC Kids Online Brasil está alinhada com o referencial metodológico do projeto Global Kids Online, coordenado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), e com a rede Kids Online América Latina.
Conduzida desde 2012 pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), a pesquisa TIC Kids Online Brasil apresenta as tendências quanto ao acesso e ao uso de tecnologias de informação e comunicação (TIC) pela população brasileira com idade entre 9 e 17 anos.
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