A conectividade e a infraestrutura digital do Brasil estão em risco após a decisão do Gecex de adotar medidas protecionistas sobre a importação de componentes vitais para a rede de dados. A aplicação de tarifas antidumping sobre a fibra óptica e cabos originários da China, estabelecida pelas Resoluções Gecex nº 829/2025 e nº 837/2025, deve provocar uma elevação de até 170% no custo dos insumos, travando investimentos estratégicos em todo o território nacional.
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A medida impõe uma sobretaxa de US$ 47,46 por quilo para fibras ópticas monomodo e de US$ 2,42 por quilo para cabos de fibra óptica. “Na prática, esse aumento súbito de custos inviabiliza o cronograma de expansão de projetos fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico do país”, explica Vivien Mello Suruagy, presidente da Feninfra – Federação Nacional de Call Center, Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática, entidade que representa as empresas do setor.
Para a executiva, a decisão de taxar a fibra chinesa é um erro estratégico que pune o consumidor e a economia, além de atrasar a expansão digital. “O Brasil corre o risco real de parar no tempo. Ao aplicar uma tarifa que eleva o custo, o governo não está apenas tributando um produto. Não há como manter o ritmo de crescimento da nossa infraestrutura com esses valores. A medida é um retrocesso que gera desemprego e amplia o fosso digital, deixando os mais pobres sem acesso à tecnologia básica”, afirma Vivien.
Os impactos
Analisar os impactos do atual cenário econômico sobre o setor de telecomunicações é fundamental para medir o risco ao avanço tecnológico brasileiro. Entre os pontos mais críticos, destacam-se:
- Atraso em escolas e hospitais: programas de governo voltados à universalização da internet em instituições de ensino e unidades de saúde pública terão seus orçamentos defasados, impedindo que a conexão chegue a quem mais precisa;
- Paralisia do 5G: a implementação da tecnologia de quinta geração depende de uma densa rede de fibra óptica (backhaul). O encarecimento do material deve frear a instalação de novas conexões, especialmente em cidades de médio e pequeno porte;
- Inviabilidade para provedores regionais: os Pequenos Provedores (ISPs), responsáveis por levar banda larga ao interior do Brasil, serão os mais atingidos, sem capacidade de absorver os novos preços ou repassá-los integralmente aos consumidores de baixa renda;
- Risco de desemprego: com a interrupção de obras de rede e o desestímulo a novos projetos, o setor de infraestrutura sofrerá uma onda de demissões em empresas de prestação de serviços de telecomunicações, instalação e manutenção.
A presidente da FENINFRA destaca ainda que o protecionismo para uma parcela bem limitada da indústria nacional não justifica o prejuízo sistêmico que será causado. “É um contrassenso querer transformar o Brasil em uma potência digital enquanto se cria barreiras intransponíveis para a compra da matéria-prima que constrói essa rede. A conectividade é hoje um insumo básico, tão ou mais importante que a energia elétrica”, conclui.
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