O avanço das conversas em canais privados está levando empresas a repensarem suas estratégias de relacionamento com clientes. Aplicativos de mensagens, grupos fechados e plataformas de comunicação direta concentram uma parcela crescente das interações digitais, reduzindo a visibilidade das marcas sobre a jornada de compra e ampliando a necessidade de ferramentas capazes de conectar dados e contextos dispersos.
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Segundo José Eduardo Ferreira, vice-presidente para a América Latina da Twilio, o chamado Dark Social — conjunto de interações que ocorre em ambientes privados como WhatsApp, Instagram Direct e Discord — deve ser encarado menos como um desafio de monitoramento e mais como uma oportunidade para fortalecer o diálogo entre empresas e consumidores.
“O que as organizações precisam entender é que não terão acesso a tudo o que é dito nesses ambientes, mas podem construir relacionamentos mais relevantes a partir dos canais oficiais de contato. Estar presente de forma omnichannel na vida do cliente é essencial para transformar comunicação em conversa”, afirma o executivo.
De acordo com o estudo “Sales Foresight 2026: Abrindo as Portas da Mudança”, citado pela companhia, 71% das decisões de compra já acontecem em ambientes de interação privada. O cenário vem pressionando empresas a investir em integração de canais, gestão de dados e inteligência artificial para obter uma visão mais completa do consumidor.
Para Ferreira, o diferencial está na capacidade de consolidar informações geradas em diferentes pontos de contato e transformá-las em ações personalizadas. Nesse contexto, a IA passa a desempenhar um papel estratégico ao conectar históricos de interação, preferências e comportamentos registrados ao longo da jornada digital.
“A IA permite consolidar informações de diferentes pontos e transformar dados dispersos em inteligência para personalizar o relacionamento com o cliente. É necessário entender onde o consumidor está, como ele se comunica e qual experiência espera receber da marca”, afirma.
Além da automação de processos, a tecnologia vem sendo utilizada para reconstruir o contexto das interações entre consumidores e empresas. A proposta é permitir que atendimentos e ações de engajamento considerem conversas anteriores, demandas recorrentes e preferências já manifestadas pelos usuários, tornando a experiência mais consistente entre diferentes canais.
O executivo ressalta, porém, que velocidade de resposta deixou de ser suficiente como diferencial competitivo. À medida que agentes de IA se tornam mais sofisticados, a qualidade da interação passa a ser um fator decisivo para o engajamento dos clientes.
“Se a experiência é impessoal, robótica ou artificial, os clientes desistem. A velocidade continua sendo importante, mas as empresas precisam garantir que cada interação seja natural, relevante e humana”, diz.
A adoção da IA também varia de acordo com o perfil dos consumidores. Segundo o relatório “Por dentro da revolução da IA conversacional”, da Twilio, 57% dos integrantes da Geração Z e 53% dos Millennials já utilizaram agentes de inteligência artificial. O estudo também aponta que, em testes realizados pela empresa, 90% dos participantes não conseguiram distinguir uma interação conduzida por IA de uma realizada por uma pessoa.
Para Ferreira, o desafio das organizações não está em monitorar todas as conversas que acontecem no ambiente digital, mas em utilizar os dados disponíveis para construir relacionamentos mais relevantes e duradouros.
“A questão é entender melhor o consumidor a partir das interações que ele já busca proativamente. Ele fala com sua marca. Ela não tem que apenas responder. Ela tem que construir diálogo”, conclui.
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