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Data centers devem triplicar até 2030 e podem chegar a 3,6% do consumo de energia no País

O avanço acelerado da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos serviços digitais colocou os data centers no centro da estratégia econômica global. No Brasil, o crescimento dessa infraestrutura crítica passou a ser acompanhado por questionamentos sobre consumo de energia elétrica e uso de água. Estudo da Brasscom dimensiona o impacto do setor e traz números que ajudam a qualificar o debate.

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De acordo com o levantamento “Consumo de energia e água em data centers”, em 2024 os data centers consumiram 8,2 TWh de energia elétrica, o equivalente a 1,7% do consumo total nacional, que foi de 650,4 TWh. A projeção para 2029 indica que o consumo pode alcançar 27,3 TWh, representando cerca de 3,6% da demanda prevista de energia no Brasil.

Para Afonso Nina, presidente executivo da Brasscom, os números demonstram que o setor está longe de representar risco ao sistema elétrico. “O Brasil não tem problema de geração de energia. A gente tem energia suficiente e sobrando para alimentar os data centers. Hoje consumimos menos de 2% da energia elétrica brasileira e devemos chegar, nos próximos cinco anos, a algo próximo de 4%, nem isso”, afirma.

Segundo ele, o desafio não está na oferta de energia, mas na infraestrutura de transmissão e nas regras de conexão. “Os data centers não vão acabar com a energia do Brasil. O que precisa ser acelerado é o planejamento de transmissão e o processo de acesso à rede”, pontua.

O estudo também apresenta dados sobre o uso de água. Em 2022, o consumo consuntivo dos data centers foi de aproximadamente 2 bilhões de litros, o que representa apenas 0,003% do total de água consumido no País naquele ano – volume equivalente ao consumo médio anual de cerca de 34,9 mil pessoas. Mesmo com a expansão prevista da base instalada até 2029, a participação deve atingir 0,008%, algo próximo ao consumo de 77 mil pessoas.

A demanda hídrica varia conforme o projeto e a tecnologia adotada. Parte das operações utiliza sistemas evaporativos ou torres de resfriamento, enquanto outras adotam soluções com menor dependência de água, como circuitos fechados e novas arquiteturas térmicas. O setor também monitora indicadores como WUE (Water Usage Effectiveness) para medir eficiência.

Para Afonso Nina, presidente executivo da Brasscom, os números mostram que o setor não representa risco à oferta de energia no País. “O Brasil não tem problema de geração de energia. A gente tem energia suficiente e sobrando para alimentar os data centers. Os data centers não vão acabar com a energia do Brasil”, afirmou.

Ele reforma que o consumo atual é inferior a 2% da energia elétrica brasileira e deve permanecer abaixo de 4% nos próximos anos. O ponto de atenção, de acordo com o executivo, está na infraestrutura de transmissão e no processo de conexão à rede, e não na capacidade de geração.

Défict nacional

A discussão ambiental ocorre em paralelo a um desafio econômico relevante. Dados do Banco Central do Brasil, indicam que o déficit na balança comercial de serviços de computação e informação chegou a US$ 7,6 bilhões até novembro de 2025. A trajetória é de crescimento contínuo das importações desses serviços.

“Hoje uma parte substancial do processamento de dados do Brasil acontece fora do País. Isso diminui nossa autonomia tecnológica”, afirma Nina. Segundo ele, ampliar a base instalada nacional é fundamental para reduzir a dependência externa e capturar investimentos que hoje estão migrando para outros mercados.

A previsão da entidade é que a base instalada de data centers no Brasil possa triplicar até o início da próxima década, caso haja ambiente regulatório e tributário competitivo. Para o presidente da Brasscom, sustentabilidade e expansão não são agendas conflitantes. “A gente tem oportunidade de trazer esse processamento para o Brasil com eficiência energética, com responsabilidade ambiental e com ganho de competitividade.”

Os números do estudo indicam que, embora o consumo de energia e água cresça com a digitalização da economia, sua participação no total nacional permanece proporcionalmente limitada. O debate, portanto, extrapola a questão ambiental e passa a envolver soberania tecnológica, balança comercial e posicionamento estratégico do País na economia orientada a dados.

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