A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mapeou cerca de 8,8 GW em projetos potenciais de data centers no estado de São Paulo, com concentração principalmente na Região Metropolitana de São Paulo e na região de Campinas. O dado reforça a posição paulista como principal polo de atração para esse tipo de investimento no país, mas também evidencia um gargalo que preocupa o setor elétrico: a infraestrutura de transmissão pode não ficar pronta no mesmo ritmo da demanda.
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Segundo a estatal, os empreendimentos de data center podem entrar em operação em dois a quatro anos, enquanto obras de transmissão costumam levar cinco a oito anos. O descompasso entre esses prazos foi apontado pela EPE como um dos principais obstáculos para acomodar a nova onda de cargas eletrointensivas no sistema.
O alerta foi feito durante workshop realizado na terça-feira, 30 de junho. Na ocasião, a EPE também informou que os pedidos de conexão já conhecidos somam cerca de 54 GW de demanda potencial até 2038, volume equivalente a aproximadamente metade do pico de carga atualmente observado pelo ONS. O número ajuda a dimensionar a pressão que os novos projetos podem exercer sobre a rede elétrica nas próximas décadas.
No caso de São Paulo, a concentração de projetos está associada à disponibilidade de infraestrutura de fibra óptica e à necessidade de baixa latência para serviços digitais. Para a EPE, trata-se de uma característica que diferencia os data centers do crescimento tradicional atendido pelas distribuidoras, já que são cargas de grande porte, concentradas em áreas específicas e com cronogramas de implantação mais curtos.
“São Paulo tem sido o grande ponto de procura para grandes projetos de data center”, afirmou Daniel Souza, consultor técnico da Superintendência de Transmissão da Energia (STE) da EPE. Segundo ele, a maior concentração ocorre na Região Metropolitana de São Paulo e na Grande Campinas, com destaque para o ponto elétrico de Bom Jardim.
Souza destacou ainda o desafio de compatibilizar os cronogramas. “São projetos que podem entrar em dois a quatro anos, muito mais rápido que uma obra de transmissão, que leva de cinco a oito anos. O grande desafio é o casamento de cronogramas”, disse durante o workshop.
A EPE avalia que o quadro não representa uma nova rodada de estudos, mas sim a organização dos principais pontos de atenção já mapeados para acomodar cargas eletrointensivas. Entre as alternativas citadas para São Paulo estão reforços no corredor de 230 kV entre Cabreúva e Anhanguera, ampliações na subestação Bom Jardim e o uso de equipamentos de controle de fluxo, medidas que poderiam aliviar a rede no curto prazo.
A discussão ganha relevância num momento em que data centers se tornam infraestrutura estratégica para a economia digital, sustentando aplicações em nuvem, inteligência artificial, telecomunicações e processamento de dados corporativos. Nesse cenário, energia confiável, conectividade e capacidade de expansão passam a ser fatores decisivos para a atração de investimentos.
O tema também dialoga com o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), aprovado pelo governo federal, que estabelece diretrizes para a evolução da oferta e da demanda de energia no país ao longo da próxima década. O documento reforça a necessidade de planejamento para dar suporte ao crescimento de cargas complexas e concentradas, como os data centers.
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