Após a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aumentar em 60 dias o prazo para ativação do 5G nas capitais do País, surgiu o receio de que haveria um impacto negativo no mercado de telecomunicações. No entanto, o presidente da Associação Brasileira de Internet (Abranet), Eduardo Neger, lembra que só o 5G não vai trazer muita coisa de diferente para o mercado. É necessário o desenvolvimento de aplicações que demandam o 5G para que ele realmente saia do papel.
O especialista explica que o sucesso do 5G vai depender mais da estratégia das operadoras e da penetração de mercado de dispositivos compatíveis do que da velocidade de implementação. “O usuário precisa ver o valor em ganhar mais velocidade e menos latência para poder investir em um equipamento ou em um plano de dados 5G”, diz.
A expectativa é que soluções de realidade aumentada e virtual possam ser o diferencial que chame o usuário final para o mundo 5G. “O usuário até quer mais velocidade, mas não são todos que querem pagar a mais por isso”, afirma. “As empresas chegam até a ser ainda mais conservadoras quanto a isso.”
Por isso, é necessário que o mercado de tecnologia desenvolva soluções que aproveitam realmente o potencial do 5G. A expectativa é de que o retorno de investimento esteja mais ligado ao mercado B2B do que ao consumidor final.
Escassez de componentes afeta ativação do 5G
A ativação do 5G foi adiada devido à falta de equipamentos de telecomunicações. Neger aponta que até estações radiobase (ERBs), as antenas utilizadas pelo 5G, estão em falta devido à crise na cadeia de semicondutores.
A expectativa é que isso se resolva durante o período a mais dado pela Anatel, permitindo que a ativação ocorra até o final de setembro. Neste caso, tudo depende da capacidade dos fornecedores atenderem às entregas.
Neger lembra, no entanto, que um segundo problema pode surgir no futuro: a falta de atualização das leis locais quanto a implantação de antenas. Apesar de já existir uma legislação federal sobre o assunto, cabe aos municípios atualizar suas leis para que a instalação de ERBs possa ser feita em mais locais e permitir a massificação do 5G.
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