A Eletronet, empresa do grupo Axia Energia, apresentou durante o Abrint Global Congress 2026 uma nova estratégia para ampliar a participação de provedores regionais e operadoras no mercado corporativo de infraestrutura digital. A companhia lançou o Slice Data Center, solução que inaugura o Hub B2B², plataforma criada para permitir que parceiros comercializem serviços de telecomunicações e TI em modelo white label, usando sua própria marca.
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A nova oferta chega ao mercado em um momento em que operadoras e ISPs buscam novas fontes de receita além da conectividade tradicional. Em entrevista ao Portal IPNews, o CEO da Eletronet, Rogerio Garchet, afirmou que o setor vive uma transformação acelerada, impulsionada pela digitalização das empresas, pela demanda crescente por baixa latência e pela descentralização das aplicações corporativas.
Segundo o executivo, o mercado caminha para uma lógica em que infraestrutura, conectividade e processamento precisam estar cada vez mais próximos do usuário final e das aplicações digitais. “Hoje, as empresas precisam de ambientes distribuídos, próximos das nuvens, dos conteúdos e dos usuários. Isso cria uma nova oportunidade para os provedores regionais ampliarem seu papel dentro do ecossistema digital”, afirma.
O Slice Data Center foi desenvolvido justamente para atender essa nova dinâmica. A solução permite que provedores, operadoras e empresas OTT contratem espaços em data centers a partir de apenas 1U de rack, reduzindo a barreira de entrada para serviços de colocation e infraestrutura distribuída.
A oferta dá acesso a 36 dos principais data centers do mercado brasileiro, além da infraestrutura própria da Eletronet, que atualmente possui 170 Edge Data Centers e prevê alcançar 255 unidades até o final de 2026. O objetivo é permitir que parceiros posicionem servidores, aplicações e equipamentos de rede em regiões estratégicas, sem necessidade de grandes investimentos próprios.
Além da infraestrutura física, a companhia incluiu suporte operacional local por meio do serviço Smart Hands Eletronet. O modelo contempla instalação de equipamentos, troubleshooting, cabeamento, auditorias e outras atividades executadas diretamente pelas equipes técnicas nos data centers parceiros.
Para Garchet, a proposta responde a uma mudança estrutural no mercado de telecomunicações e TI. Segundo ele, os provedores regionais já possuem forte presença local e relacionamento consolidado com empresas de médio porte, mas precisam ampliar seu portfólio para capturar novas demandas do ambiente corporativo.
“O provedor deixou de ser apenas um fornecedor de acesso. Ele agora pode entregar infraestrutura digital, processamento, armazenamento e serviços gerenciados, monetizando sua base de clientes de maneira muito mais ampla”, afirma.
A estratégia da Eletronet também acompanha a crescente demanda do mercado por serviços recorrentes e modelos mais flexíveis de contratação. Durante a Abrint, executivos do setor destacaram que o ambiente corporativo está migrando rapidamente para soluções híbridas, distribuídas e orientadas por consumo, exigindo maior capilaridade operacional e integração entre conectividade e data center.
Nesse cenário, a companhia aposta no Hub B2B² como uma plataforma capaz de acelerar essa transformação entre parceiros de telecom. A proposta é que os clientes da Eletronet possam incorporar novos serviços ao portfólio sem necessidade de construir infraestrutura própria, reduzindo complexidade operacional e acelerando o time-to-market.
Segundo a empresa, o Slice Data Center é apenas o primeiro passo dessa estratégia. Novas soluções devem ser adicionadas gradualmente ao Hub B2B², ampliando as possibilidades de monetização para operadoras, ISPs e provedores de serviços digitais.
Garchet também destaca que o avanço da inteligência artificial, das aplicações de borda e da demanda por baixa latência deve acelerar ainda mais a necessidade de infraestrutura distribuída no Brasil. “A IA, os serviços digitais e as aplicações críticas exigem proximidade física da infraestrutura. Isso reforça o papel dos edge data centers e cria uma oportunidade importante para os provedores regionais participarem dessa nova cadeia de valor”, conclui.
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