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Empresas ainda reagem a incidentes, em vez de preveni-los, alerta estudo

A segurança digital corporativa ainda opera em modo reativo. É o que mostra o relatório “O Estado da Segurança de IA e Nuvem 2025”, desenvolvido pela Tenable em parceria com a Cloud Security Alliance (CSA). O estudo aponta que o ritmo acelerado da transformação digital – impulsionado pela adoção de ambientes híbridos, multinuvem e de inteligência artificial – superou a capacidade das áreas de segurança de acompanhar as mudanças. O resultado é um cenário em que as empresas seguem reagindo a incidentes, em vez de preveni-los.

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Segundo o levantamento, 43% das organizações utilizam como principal indicador de desempenho a frequência e a gravidade das violações. Essa abordagem, segundo o relatório, reforça um ciclo de “combate a incêndios”, em que as equipes respondem a ataques, mas pouco avançam na mitigação preventiva de riscos.

“As organizações estão medindo violações, não prevenção. Isso reforça uma cultura de resposta a crises em detrimento da resiliência de longo prazo”, destaca o estudo da CSA.
A pesquisa foi conduzida em maio de 2025 e ouviu 1.025 profissionais de TI e segurança em diferentes regiões e setores. O levantamento mostra que as empresas relataram uma média de 2,17 violações relacionadas à nuvem nos últimos 18 meses, embora apenas 8% tenham sido classificadas como graves. O número evidencia que os incidentes continuam frequentes, mas o impacto real e o aprendizado extraído deles ainda são limitados.

Falta de estratégia e visão integrada

O estudo mostra que o avanço das arquiteturas híbridas e multinuvem – já presentes em 82% e 63% das organizações, respectivamente – trouxe novos níveis de complexidade e pontos cegos de segurança. Apesar disso, apenas 20% das empresas priorizam a avaliação unificada de riscos, e 13% estão focadas em consolidar ferramentas.

A gestão de identidade é hoje o principal ponto de vulnerabilidade: 59% das empresas identificam permissões perigosas e identidades expostas como risco número um à infraestrutura de nuvem. Entre as que já sofreram violações, três das quatro principais causas estavam relacionadas à identidade – incluindo excesso de privilégios e controles inconsistentes de acesso.

Para Arthur Capella, diretor-geral da Tenable Brasil, o problema é estrutural e está no descompasso entre inovação e segurança.

IA cresce mais rápido que a segurança

O relatório mostra que 55% das empresas já usam IA em produção e que 34% delas sofreram violações relacionadas à tecnologia. As principais causas envolvem vulnerabilidades de software (21%), falhas em modelos de IA (19%) e ameaças internas (18%).

Mesmo assim, os times de segurança continuam mais preocupados com riscos “novos”, como manipulação de modelos (18%) e uso de IA não autorizada (15%), ignorando vulnerabilidades básicas e erros de configuração.

Essa desconexão, segundo a CSA, mostra que muitas organizações ainda tratam a IA como um campo isolado, em vez de aplicar os princípios já consolidados de segurança da nuvem e identidade a esses novos sistemas.

O levantamento destaca também um gap de conhecimento e comunicação entre liderança e equipes de segurança. Cerca de 31% dos entrevistados afirmaram que os executivos não compreendem adequadamente os riscos da nuvem, e 20% disseram que os líderes acreditam que as ferramentas dos provedores são suficientes para garantir proteção. Essa percepção, segundo o estudo, limita o investimento e dificulta a evolução da maturidade digital.

Caminho para a maturidade

Para romper o ciclo de reatividade, a Tenable e a CSA recomendam que as organizações adotem uma abordagem de segurança orientada à prevenção e à resiliência.
Entre as medidas prioritárias estão:

• Implementar visibilidade unificada em ambientes híbridos e multinuvem;
• Fortalecer a governança de identidade, inclusive para agentes não humanos;
• Expandir os KPIs para incluir prevenção e tempo de exposição, não apenas incidentes;
• Aprimorar o entendimento da liderança sobre riscos e responsabilidades;
• Tratar a conformidade como ponto de partida, e não como limite máximo da segurança.

“A maturidade da segurança não virá apenas das ferramentas. Ela depende de um esforço coordenado entre equipes, liderança e estratégia”, conclui o relatório.
Acesse a íntegra do Relatório “O Estado da Segurança de IA e Nuvem 2025” – Tenable e Cloud Security Alliance (CSA).

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