De acordo com dados de 2019 da Brasscom, associação brasileira de empresas do setor de TIC, o setor vai demandar até 420 mil profissionais até 2024, sendo que o Brasil forma apenas 37 mil profissionais por ano. Como os números são insuficientes para suprir a demanda, empresas têm investido em programas próprios para capacitar seus próprios funcionários e suportar a demanda por profissionais.
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Duas empresas que adotaram essa estratégia foram a NTT Ltd. e a CI&T. Ambas enfrentam problemas para contratar desenvolvedores. As habilidades mais procuradas na NTT Ltd. são FrontEnd (Angular e Java), BackEnd (Java e Kafka), DBA SQL Server e Service Desk. “Também há uma dificuldade muito grande em contratar profissionais de Segurança e Cloud, pois requer experiência em planejamento estratégico de cloud pública e híbrida”, complementa Daniela Gärtner, diretora sênior de Recursos Humanos da NTT Ltd. para América Latina.
Para lidar com essa demanda, a NTT Ltd. oferece cursos, mentorias, treinamentos, workshops e outras atividades que incentivem os colaboradores a buscar as certificações necessárias para crescer profissionalmente. “Prezamos por profissionais autodidatas, já que as tecnologias evoluem rapidamente e é preciso estar atualizado sempre. É por essa razão que oferecemos atividades diversas que visam agregar mais skills aos nossos profissionais”, diz a diretora.
Na CI&T, não é muito diferente. Vinicius Lucas, líder de Aquisição de Talentos da CI&T, aponta que a maior carência se dá em áreas como desenvolvimento de software e linguagens mobile passando por gestão de projetos/produtos e ciência/arquitetura de dados. “Além disso, arquitetos de software, profissionais de Quality Assurance, especializados em Gestão de Testes e Automação, e líderes Scrum Master também são altamente requisitados.”
A resposta da empresa é o investimento em sua própria plataforma de universidade corporativa, estimulando a criação de trilhas de aprendizagem para que as pessoas possam se capacitar na velocidade da demanda.
Luciano Ramos, gerente de Pesquisa e Consultoria de Enterprise da IDC Brasil, explica que iniciativas como as dessas empresas não é novidade no mercado. “Não é de hoje a aproximação de grandes provedores de tecnologia de universidades para estabelecer algum tipo de programa para auxiliar a capacitação de estudantes para prepará-los melhor ao mercado de trabalho e compor o próprio time”, diz.
Ainda segundo ele, muitas empresas buscam provedores que entreguem pessoas capacitadas na forma de serviços gerenciados. “Antes da crise, era uma alavanca de crescimento para o setor, que arrefeceu um pouco com a pandemia. A gente vê que é uma tendência que deve ser retomada porque as empresas precisam tocar seus projetos e suas necessidades.”
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