As organizações que obtêm sucesso em iniciativas de Inteligência Artificial (IA) estão destinando até quatro vezes mais recursos financeiros a fundamentos críticos como qualidade de dados, governança, capacitação de equipes e gestão de mudanças. É o que aponta um estudo do Gartner, que evidencia o impacto direto dessas decisões na base tecnológica que sustenta aplicações de IA, incluindo infraestrutura de conectividade e arquiteturas de dados.
CONTEÚDO RELACIONADO – Gartner projeta transformação do mercado de dados e analytics com avanço da IA até 2030
A pesquisa, realizada com 353 líderes globais de Data & Analytics (D&A) e IA entre novembro e dezembro de 2025, também revela um cenário de cautela: apenas 39% dos executivos acreditam que os investimentos atuais em IA irão gerar impacto positivo no desempenho financeiro.
Segundo o Gartner, o avanço da IA até 2030 exigirá uma transformação estrutural nas fundações digitais das empresas. Isso inclui a entrega de dados confiáveis, a construção de bases contextuais robustas e o desenvolvimento de inteligência perceptiva, elementos que dependem diretamente de ambientes conectados, integrados e escaláveis.
Nesse contexto, o conceito de “contexto como infraestrutura” ganha protagonismo. A consultoria destaca que organizações com maior maturidade em D&A voltado à IA alcançam resultados de negócios até 65% superiores, impulsionados por melhor acesso a dados governados e contextualizados. Essa camada passa a funcionar como o “cérebro” dos agentes de IA, exigindo arquiteturas mais sofisticadas e redes capazes de suportar fluxos intensivos e dinâmicos de dados.
O estudo também aponta que a evolução da IA demanda a integração profunda entre disciplinas como engenharia de dados, software e IA, rompendo silos tradicionais e pressionando a infraestrutura tecnológica a operar de forma mais convergente e resiliente.
Outro desafio relevante está na confiança. Apenas 23% dos líderes de TI afirmam estar altamente confiantes na capacidade de suas organizações de gerenciar segurança e governança em projetos de IA generativa. Para o Gartner, isso reforça a necessidade de modelos dinâmicos de governança, embutidos nos fluxos operacionais e apoiados por infraestrutura preparada para garantir integridade, privacidade e conformidade.
Além disso, a adoção de modelos “AI-first” tende a redefinir a própria estrutura das equipes de D&A, com núcleos menores e mais especializados, apoiados por agentes de IA, o que amplia a dependência de ambientes conectados, automatizados e de alta performance.
Por fim, o Gartner destaca que líderes devem ir além do ROI tradicional e adotar uma lógica de multiplicação de valor, reinvestindo ganhos de eficiência em inovação. Esse movimento, na prática, reforça o papel estratégico da infraestrutura de dados e conectividade como base para escalar a IA e sustentar novos modelos de negócio.
Os temas fazem parte da agenda da Conferência Gartner Data & Analytics, que será realizada nos dias 28 e 29 de abril, em São Paulo.
Participe das comunidades IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn e X.
