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Entidades pedem mudança em PLP para destravar política de data centers no país

Computer scientist running code and programming on laptop, troubleshooting and upgrading high tech facility designed to accommodate multiple clusters of fully operational server rigs

Um movimento articulado por entidades da economia digital e da indústria colocou o PLP 77/2026 no centro da estratégia para destravar investimentos em data centers no Brasil. Embora o projeto tenha sido concebido com foco em equilíbrio fiscal e segurança jurídica, o setor avalia que o texto aprovado pelo Senado acabou criando uma barreira indireta à implementação do regime de incentivos conhecido como Redata.

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A proposta em tramitação não nasceu para tratar de infraestrutura digital. Seu objetivo original é estabelecer regras mais rígidas e previsíveis para a concessão de benefícios fiscais, organizando o uso de renúncias tributárias e reforçando o controle das contas públicas. Nesse contexto, o PLP funciona como uma espécie de “filtro” para novos incentivos, o que, na prática, passou a impactar políticas em discussão paralela, como a de estímulo a data centers.

O Redata, por sua vez, tem origem em outra frente da agenda econômica, associada à atração de investimentos em infraestrutura crítica para a economia digital. A política chegou a ser tratada no âmbito da Medida Provisória nº 1.318, cujo impacto orçamentário já havia sido considerado na Lei Orçamentária de 2026, mesmo após a perda de vigência da medida.

É justamente nesse ponto que surge o impasse. Segundo as entidades, ao endurecer os critérios para concessão de incentivos, o texto atual do PLP 77/2026 acabou inviabilizando, na prática, o enquadramento do Redata, criando uma desconexão entre o planejamento fiscal já realizado e a possibilidade legal de implementar a política.

Para resolver o problema, o setor propõe uma mudança mínima no projeto: a substituição da conjunção “e” por “ou” no artigo 1º do PLP. A alteração é classificada como uma emenda de redação, sem impacto estrutural, mas com efeito direto sobre a viabilidade do regime.

Na avaliação das entidades, o ajuste permitiria compatibilizar o PLP com políticas já desenhadas para o setor, restabelecendo a previsibilidade regulatória e a segurança jurídica necessárias para atrair investimentos. O argumento central é que não se trata de criar um novo benefício, mas de evitar que uma regra geral bloqueie uma iniciativa considerada estratégica para o país.

Assinam manifesto organizações como ABDC, ABES, BRASSCOM, CNI e ABEEólica, evidenciando o caráter transversal da demanda, que envolve desde tecnologia até energia e indústria.

Para o mercado, a discussão vai além de um ajuste técnico. Sem um modelo competitivo de incentivos, o Brasil corre o risco de perder projetos de data centers para outros países, comprometendo sua capacidade de atrair investimentos em nuvem, inteligência artificial e processamento de dados, áreas cada vez mais centrais para a economia digital.

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