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Ransomware: pagamentos de resgates tornam o Brasil alvo estratégico para hackers

O Brasil segue entre os países mais visados por cibercriminosos em ataques de ransomware, e um dos principais motivos é a alta taxa de pagamento de resgate entre organizações locais. Segundo o relatório State of Ransomware 2025, divulgado pela Sophos, 66% das empresas brasileiras vítimas de ransomware optaram por pagar para recuperar seus dados – índice bem acima da média global de 50%.

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Essa tendência coloca o país na mira de grupos especializados, que enxergam no mercado brasileiro um ambiente propício para extorsão digital. “O fato de tantas empresas pagarem o resgate reforça a atratividade do Brasil para os cibercriminosos. É um ciclo perigoso: quanto mais se paga, mais ataques o país tende a receber”, alerta André Carneiro, country manager da Sophos.

Brasil: alta incidência, pagamentos elevados e ataques cada vez mais sofisticados

Mesmo com uma leve queda em relação aos 67% registrados em 2024, o índice de 66% de pagamentos é um dos maiores entre os 17 países analisados. A mediana paga pelas empresas brasileiras foi de US$ 392.500 – embora inferior aos US$ 840 mil do ano passado, ainda representa um valor significativo. Em 40% dos casos, a demanda de resgate ultrapassou US$ 1 milhão.

Além disso, o Brasil apresenta taxas elevadas de criptografia de dados (54%) e ainda enfrenta desafios como vulnerabilidades técnicas, falta de pessoal e falhas em processos de segurança. As vulnerabilidades exploradas foram a causa mais comum dos ataques, seguidas por uso de credenciais comprometidas (20%) e e-mails maliciosos (18%).

Outro dado preocupante: 34% das empresas brasileiras acabaram pagando mais do que o valor inicialmente exigido — quase o dobro da média global (18%).

Falta de especialização agrava riscos

A escassez de conhecimento técnico especializado foi apontada como o principal gargalo por empresas brasileiras com mais de 3 mil funcionários. Já organizações de médio porte (251 a 500 colaboradores) relataram carência de pessoal como o maior desafio. Segundo a Sophos, esses fatores tornam as empresas mais vulneráveis e dificultam a resposta eficaz aos ataques.

Apesar disso, há avanços: 55% das empresas brasileiras conseguiram se recuperar completamente em até uma semana — um salto considerável em comparação aos 28% do ano anterior. E, mesmo entre as que pagaram resgate, 73% também utilizaram backups para restaurar os dados.

Conscientização cresce, mas ataques também evoluem

O relatório mostra que, globalmente, mais empresas estão conseguindo interromper ataques antes que dados sejam criptografados (44%, recorde dos últimos seis anos). Ainda assim, o uso de backup para recuperação caiu para o menor nível histórico (54%).

Para Carneiro, o aumento da conscientização está levando mais organizações a adotarem serviços especializados como Managed Detection and Response (MDR). “Estamos vendo empresas reconhecerem a necessidade de ajuda externa. Estratégias como autenticação multifator, aplicação de patches e MDR podem reduzir substancialmente os riscos”, explica.

Apesar deste aumento, o executivo pondera que a contratação de cibersegurança como serviço é uma modelidade que começa a se desenvolver no Brasil, país que está muito atrás nesta área do que Estados Unidos e Europa, por exemplo.

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