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Resultados globais da Ericsson são negativos, mas operação brasileira se destaca com crescimento

Estratégia nacional focada na transformação digital das operadoras tem resultado em números saudáveis.

Vinicius Dalben, vice-presidente de Estratégia da Ericsson no Brasil (foto: divulgação Ericsson).

No segundo trimestre de 2017, a multinacional sueca Ericsson apresentou prejuízo financeiro de US$ 144 milhões, uma queda de 145% na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado negativo foi justificado pelo baixo investimento das operadoras móveis em infraestrutura, mas a operação brasileira pode se gabar: os números estão saudáveis e há crescimento, afirma o vice-presidente de Estratégia da Ericsson no Brasil, Vinicius Dalben.

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De acordo com o novo executivo, os índices positivos são motivados pela transformação digital que a Ericsson vem fazendo em seus clientes. Na entrevista a seguir, Dalben explica como o processo de reestruturação estratégico da Ericsson é realizado e no que influencia a operação brasileira, que hoje é independente e responde diretamente à Europa.

IPNEWS: Como a Erisson do Brasil respondeu neste último trimestre negativo para a multinacional?

Vinicius Dalben: Os resultados globais são desafiantes, mas o Brasil respondeu positivamente, com números saudáveis e com crescimento. Isso porque nossa área de serviços e soluções digitais ganhou maior destaque e vem crescendo. Além disso, o ano passado foi mais complicado para a operação brasileira em razão da crise, tendo uma melhora em 2017.

IPNEWS: O que é essa nova área de serviços e soluções digitais?

VD: Ela faz parte de nossos dois pilares estratégicos de produtos, sendo a outra rede, nosso mercado tradicional, que ainda responde pela maior parte do nosso faturamento. Nessa nova área, oferecemos serviços de transformação digital, como digitalização do canal de comunicação das operadoras com os clientes, desenvolvimento de software customizados para clientes e soluções de virtualização das funções da rede (NFV, na sigla em inglês), onde já contamos com projetos pilotos em algumas teles.

IPNEWS: Mas essa área de transformação digital não devia estar crescendo em outros países também?

VD: E está, mas o Brasil consegue ser mais rápido que o resto do mundo, graças ao nosso setor de P&D local e nossas parcerias com universidades. Desse modo, a inovação já faz parte da cultura da operação nacional. Junta-se a isso a realidade do mercado de telecomunicações brasileiro, grande e com disparidades entre regiões, e com consumidores heavy users de tecnologia, o que força as operadoras a investirem em mais tecnologia para suprir a demanda.

IPNEWS: Falando em tecnologia, qual é a atual estratégia de Internet das Coisas (IoT) da Ericsson?

VD: Antes, nós focávamos na integração de soluções. Exemplo: em uma cidade inteligente, nós atuávamos como um catalisador para entregar soluções fim a fim. Percebemos que essa posição poderia ser executada por qualquer empresa, seja uma operadora ou mesmo um integrador. Por isso, agora trabalhamos no desenvolvimento de uma plataforma que gerencie toda a conexão entre os sensores, aplicativos e rede para descomplicar e agilizar o processo de integração e, claro, de adoção. Junto a isso, nós mantivemos o nosso desenvolvimento de soluções de IoT.

IPNEWS: Essa mudança na estratégia faz parte do processo de reestruturação global da empresa?

VD: Sim, soma-se a essa nova estratégia a consolidação do portfólio de produtos nos dois pilares já ditos anteriormente e na reestruturação organizacional da empresa, que reduziu cargos hierárquicos e cortou regiões no mundo.

IPNEWS: Como está a nova organização?

VD: Hoje, temos cinco regiões: América do Norte, Índia/Oceania, Ásia, África/Oriente Médio e América Latina/Europa. A união entre estes dois últimos continentes é em razão da similaridade do mercado, já que grande parte das operadoras que atuam aqui são europeias, a exemplo da Telecom Italia (dona da TIM) e a Telefónica.

É importante ressaltar que nessa nova estrutura, a América Latina e Caribe se dividiu em três unidades comerciais, América do Sul (excluindo Brasil), México & América Central e Caribe e o Brasil, que se tornou independente e responde diretamente a sede da região, em Londres. Com isso, o nosso foco muda para o Brasil, não mais o mercado latino como um todo.

IPNEWS: O corte de 25 mil funcionários, especulado por um jornal sueco, irá ocorrer?

VD: Não terá corte de funcionários em uma escala tão grande. O que ocorre é o remanejamento de cargos hierárquicos, que visa trazer mais agilidade nas respostas e um atendimento mais próximo aos clientes, além de uma redução de custos.

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