Em discussão durante o Fórum Abinee TEC 2021, evento online promovido pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) ao longo desta semana, especialistas debateram como enfrentar os riscos de segurança nas redes em face da implementação do 5G. A tecnologia de banda larga móvel, que já está em operação em países desenvolvidos, ainda deve precisa passar pelo leilão de frequências antes das operadoras disponibilizarem no Brasil. O edital deve ser publicado em outubro deste ano, segundo o Ministério das Comunicações (MCom).
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Para Igor Freitas, executivo de Contas e especialista em Inteligência Artificial da Intel, a fragilidade não está, necessariamente, no 5G. De acordo com ele, o principal ponto é que a cibersegurança não é levada em conta no design de soluções tecnologias. Ele explicou que o 5G aumenta a superfície de ataque, como qualquer inovação faz.
“Mas a tecnologia de proteção evolui em paralelo para mitigar os riscos. Além disso, podemos compartilhar entre empresas do mesmo segmento, de forma segura e protegendo interesses comerciais, para criar um modelo de inteligência artificial (AI) para identificar ameaças”, defendeu o executivo. “A IA pode automatizar funções de cibersegurança.”
Já Francisco Giacomini Soares, vice-presidente de Relações Governamentais da Qualcomm, destacou a necessidade de se estar abertos às redes abertas do 5G, o chamado Open RAN. Para ele, é importante que a conectividade suporte novas aplicações e permita a inovação. “Não dá para inovar dentro de arquiteturas fechadas”, afirmou. “Os riscos até tendem a aumentar, mas a preocupação dos fabricantes de rede se torna maior, surgindo mais transparência do setor.”
Sergio Sevileanu, gerente de Smart Grid & Telecom da Siemens, concorda com a visão dos executivos. “Além do security by design, precisa haver um acompanhamento da segurança das soluções”, disse. Ele ainda reconhece que as redes fechadas são mais seguras, “mas não quer dizer que Open RAN não seja uma oportunidade”.
Para ele, o principal está no fator humano. “Ele é essencial para a segurança, desde a formação de mão de obra capacitada até a conscientização das pessoas no dia a dia”, afirmou. Ele concluiu dizendo que a segurança é uma responsabilidade compartilhada: o governo regula, as empresas criam e adotam a tecnologia e pessoas se atentam para diminuir brechas.
Papel do governo
Representantes do governo também participaram do debate. José Afonso Cosmo Júnior, secretário substituto de Telecomunicações do MCom, afirmou que o papel do governo é proteger a sociedade sem impedir a inovação. “Vamos trabalhar de forma orientativa e dar liberdade para autorregulação”, defendeu. Segundo ele, um exemplo de orientação foi a Estratégia Nacional de Segurança Cibernética, adotada com o Decreto 10.222, de fevereiro de 2020.
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