O primeiro dia do Conecta 2026, evento itinerante da TIP Brasil, deu largada hoje (18/3) em Campinas (SP), na sede da operadora virtual e fornecedora de soluções de Telecom White Label para provedores de internet (ISPs). O evento trouxe perspectivas sobre como os ISPs podem utilizar tecnologias como a inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e redes privativas a favor de seus negócios.
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Em um painel dedicado à IoT, foram apresentados caminhos para que o provedor encontre formas de monetizar mais sua base B2B. O desafio aqui, como apontou Rafael Zardo, gestor de Plataformas na Mhnet Telecom, é entregar valor para o cliente. Para isso, o provedor precisa estar mais perto dele para enxergar suas necessidades.
Seu xará Rafael Nahid, co-fundador da ConnectXperts, deu a dica de ouro: “Qualquer situação em que uma pessoa está anotando dados em uma prancheta é uma oportunidade de automação com sensores IoT.” E Zardo completa que, para notar essas falhas de eficiência, é preciso que a equipe de vendas esteja capacitada para identificá-las e saber como vender a solução para o cliente.
Nahid trouxe um exemplo triste do que viu com um frigorífico no Sul do Brasil. Após abater seu gado suíno em uma sexta-feira, a empresa só foi notar a falha em seus sistemas de refrigeração na segunda-feira seguinte, perdendo toda a produção. Um simples sensor de temperatura para monitoramento remoto teria impedido o desastre para a empresa.
Setor de utilities é oportunidade em pequenas cidades
Uma das forças dos provedores é a capilaridade que eles detêm em pequenas cidades. Isso os coloca na posição ideal para formar parcerias com órgãos locais na prestação de serviços públicos, como a iluminação pública. Ricardo Vieira, também co-fundador da ConnectXperts, destacou a tendência da adoção da iluminação inteligente por prefeituras através de parcerias público-privada (PPP).
Provedores locais saem na frente porque já contam com infraestrutura de conectividade nos postes e podem fazer a gestão desse serviço. O desafio aqui será se adaptar ao modelo do setor público e oferecer sistemas de gestão intuitivos para o usuário final.
Rogério Moreira, presidente da Associação Brasileira de IoT (Abinc), também citou as possibilidades de parcerias com empresas de saneamento e gás encanado para oferecer medidores inteligentes com conectividade.
Redes privativas também são uma oportunidade para o setor
José Umberto Sverzut, assessor técnico estadual da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), apresentou a oportunidade de ISPs se aliarem a empresas para prover redes privativas. A ideia é usar a fibra óptica dos provedores para conectar antenas de indústrias ou fazendas.
O modelo, no entanto, vai depender da solicitação de licenças de Serviço Limitado Privado (SLP), que poderão ser pedidas pela empresa-cliente ou pelo provedor junto com uma faixa do espectro limitada a esse uso. “Inclusive, tem um pedaço do 5G que está reservado para esse serviço. É uma faixa de 100 MHz entre as frequências de 3,7 e 3, GHz”, completa.
Aqui, as estratégias de serviço do provedor podem ir além da conectividade e também oferecer soluções de IoT, que é o interesse real de uma empresa ao montar sua rede privativa. “São oportunidades de negócio que estão surgindo”, aponta Sverzut.
Como o ISP pode usar a IA no seu negócio
O evento também contou com a participação de Celso de Morais, advogado especializado em tecnologia que já foi dono de provedor. Em sua palestra, ele destacou como um provedor pode usar a IA a seu favor, como no uso óbvio no relacionamento com o cliente. “Não estou aqui para vender um ‘jabá’ da TIP, mas ela utiliza um modelo de inteligência artificial que vai auxiliar o provedor em todo o processo de vendas”, comentou.
Um modelo como esse que, segundo Morais, já vem com o CRM e um tratamento de leads até um determinado ponto, permite um atendimento mais humanizado e qualificado pela equipe do provedor. “Muitos provedores têm olhado para o uso da IA parar automação, como apenas uma ferramenta. Mas o que nós temos que enxergar é que alguns provedores já a utilizam na camada da experiência do cliente com a personalização de produtos.”
Outro ponto é a autoavaliação do ISP. “O provedor precisa identificar qual é o momento em que ele se encontra e qual é o nível de organização que ele tem para só depois escolher qual é a ferramenta que melhor se adapta àquela realidade dele”, finaliza.
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