A Anthropic foi obrigada a suspender o acesso aos seus modelos mais avançados de inteligência artificial. A decisao foi anunciada pelos Estados Unidos poucos dias após o lançamento das versões Claude Fable 5 e Claude Mythos 5, poucos dias após o lançamento. A medida atende a uma diretiva de controle de exportação emitida pelo governo estadunidense com base em argumentos de segurança nacional.
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Segundo a empresa, a ordem determinava que os modelos não poderiam ser disponibilizados a cidadãos estrangeiros dentro ou fora do território norte-americano. Como a plataforma não conseguiria restringir o acesso a grupos de clientes, a Anthropic optou por desativar os serviços para toda a base de clientes.
O principal motivo da intervenção governamental foi a capacidade dos modelos de identificar vulnerabilidades críticas em sistemas de software e gerar códigos de ataque de forma autônoma. Durante testes realizados no âmbito do Project Glasswing, um programa restrito a parceiros selecionados, o Claude Mythos Preview identificou mais de 10 mil vulnerabilidades classificadas como altas ou críticas em softwares amplamente utilizados, algumas delas existentes há mais de 20 anos.
As autoridades americanas avaliaram que esse nível de capacidade poderia ampliar riscos relacionados à segurança cibernética, espionagem digital e uso indevido por agentes estrangeiros. A decisão marca um dos primeiros casos em que o governo dos EUA interfere diretamente na disponibilização comercial de um modelo de IA já lançado ao mercado.
A Anthropic, entretanto, contesta a avaliação. Em comunicado, a empresa afirma que os riscos apontados são limitados e que funcionalidades semelhantes já estão presentes em outros modelos avançados disponíveis no mercado.
Para Wilson Silva, CEO da WS Labs e professor da ESPM São Paulo, o episódio sinaliza uma mudança estrutural no setor.
“A fronteira da IA deixou de ser apenas uma disputa tecnológica entre empresas e passou a ser uma questão estratégica para os Estados. Quando um governo consegue retirar um modelo do ar da noite para o dia, fica evidente que acesso à inteligência artificial avançada passou a ser um tema de soberania e segurança nacional”, afirma.
Segundo o especialista, a principal lição para empresas brasileiras é reduzir a dependência de plataformas específicas e investir em governança, arquitetura tecnológica e conformidade regulatória.
“Quem trata IA como infraestrutura, com processos, governança e múltiplas alternativas tecnológicas, fica menos vulnerável a mudanças regulatórias ou geopolíticas. Já quem depende de um único fornecedor pode ver operações estratégicas impactadas por decisões sobre as quais não tem controle”, diz.
Silva acredita que episódios semelhantes tendem a se tornar mais frequentes à medida que os modelos de IA ganham capacidade operacional. Temas como soberania digital, proteção de dados, LGPD e uso corporativo de inteligência artificial por meio de APIs e ambientes controlados devem ganhar espaço na agenda das empresas nos próximos meses.
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