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Gerenciando o excesso de informação

Aníbal Oliveira

Os processos de competitividade das empresas contemplam a capacidade de reter e compartilhar conhecimento, prescreve Aníbal Oliveira, diretor executivo da dot.Content.

Segundo especialistas em comunicação, conseguimos assimilar no máximo 10% de toda a informação recebida em um único dia. Isso é conseqüência direta das tecnologias hoje disponíveis: televisão privada e interativa, rádio, telefonia móvel, mídia impressa e eletrônica, propaganda indoor e outdoor e, principalmente, a Internet.

Chats, wikis, fóruns, blogs, páginas comunitárias, sites de relacionamento e de pesquisa, mensagens instantâneas, web mail – tudo contribui para um crescimento exponencial do volume de informação à nossa disposição. 

Cabem aqui duas questões de ordem prática: quanto dessa informação realmente necessitamos? E, como utilizá-la a nosso favor para melhorar a qualidade de vida e gerar riqueza em nossas atividades profissionais?

A mente humana necessita tomar decisões todo o tempo. Fechar ou não um determinado negócio, comprar ou não um carro novo, fazer a viagem do sonho ou poupar para a aposentadoria.  E essas mesmas decisões são tomadas dentro dos mais variados cenários e diante de uma maior ou menor urgência. Porém, nem sempre se orientam pelas informações diversas à disposição, mas por dois outros fatores bem menos tangíveis, muito mais amplos e complexos, sempre associados a processos cognitivos, que muitas vezes são difíceis de serem modelados ou administrados: o conhecimento e a inteligência.

Quando falamos em conhecimento, podemos entender um agrupamento de informações associadas a processos de pesquisa ou aprendizado. São práticas de negócio ou habilidades intelectuais para o exercício de uma determinada atividade (medicina, arquitetura, …), ou mesmo o skill necessário para escrever este artigo.

Já a inteligência pressupõe as mesmas informações, associadas a processos de aprendizado semelhantes, porém aplicadas à tomada estratégica de decisões. Para definir um cenário ou um modelo de negócio, por exemplo, necessitamos saber sobre nossas próprias práticas e precisamos conhecer os nossos competidores para tomarmos decisões no sentido de tirar-lhes a vantagem na operação, um processo típico de inteligência de negócio.

Sendo assim, quanto de toda essa informação disponível nos é de fato útil? Quanto dela necessitamos?

A resposta para essas questões é que demandamos muito de toda informação disponível para nos auxiliar em nossas decisões diárias, o que nos torna mais aptos a acertar do que a errar. Falando em termos de negócio e utilizando os conceitos introduzidos acima, necessitamos de “conhecimento e de inteligência que nos dêem vantagem competitiva”.

Entretanto, toda a informação disponível significa algo fisicamente impossível de ser manuseado e utilizado na sua totalidade, devido às limitações de assimilação e aprendizado da mente humana diante dos grandes volumes mencionados no acima. Portanto, sem métodos ou ferramentas adequadas, toda essa informação necessária se perde.
Acredito que, de todos os recursos de gerenciamento de informações e de conhecimento hoje disponíveis, é a própria Internet a ferramenta mais eficaz, que pode ser a ponte entre a mente que decide e a informação que suporta essas decisões.

Os recursos de telefonia e de computação móvel, aliados a uma dinâmica de vida em tempo real, nos posicionam a todo momento nos chamados espaços virtuais e provocam a quebra de vários paradigmas, levando a mudanças comportamentais e de relacionamento. Hoje se fecham negócios em filas de check-in de aeroportos; obtém-se feedbacks sobre resultados de vendas por meio de áudio conferências; compra-se desde alimentos até automóveis da sala de espera do médico particular, e acompanha-se as atividades dos filhos na escola através de imagens geradas por web cams e exibidas em sites de intranet.

Por outro lado, os fatores de competitividade das empresas vão hoje muito além dos controles de custos e da melhoria dos produtos e serviços. Os processos de competitividade das empresas contemplam muito a capacidade de reter e de compartilhar conhecimento, de inovar e de formar profissionais, dos quais se exige cada vez mais flexibilidade, colaboração e mobilidade.

O conhecimento e as práticas de negócio podem ser modelados eficientemente em web sites, onde o formato, a complexidade e o volume das informações muito pouco importa. Motores de busca munidos de mecanismos de inteligência podem rastrear e disponibilizar em questão de segundos volumes de informação impossíveis de serem obtidos a partir de meios convencionais, buscando informações em repositórios pessoais, corporativos ou site a site na Internet.

Não podemos esquecer dos processos de treinamento e educação à distância, que já são uma realidade em várias escolas e universidades altamente conceituadas, modelo que permite o aprimoramento profissional a qualquer hora, em qualquer lugar. Ou seja, a partir de web sites pode-se criar o ambiente de inteligência ideal para a tomada de decisões, a custos extremamente baixos se comparados com sistemas de gerenciamento de informações convencionais ou mídia impressa.

O aspecto de comunicação social e corporativa também é extremamente beneficiado com o uso da Internet. Isso porque é através da transmissão de voz e da imagem que se dá a integração de comunidades e o gerenciamento via recursos de trabalho colaborativo e de projetos offshore, envolvendo equipes transculturais e multidisciplinares em diferente locais geográficos e a custos muito inferiores dos processos de telefonia e vídeo-conferência tradicionais.

A Internet está longe de ser a última fronteira para a gestão das informações. Todavia, é o recurso mais eficiente, mais flexível e de menor custo hoje disponível para a sociedade e para as empresas. E pode, quem sabe, definitivamente criar uma sociedade sem exclusões e eficiente na gestão do seu conhecimento e de seus valores.

Aníbal Oliveira é diretor executivo da dot.Content

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