*Por Gilberto Reis
Não é de hoje que a inteligência artificial (IA) deixou de ser tema de laboratório e passou a ocupar espaço estratégico nas decisões do setor financeiro. O movimento é visível em bancos, seguradoras e fintechs, que buscam eficiência, novos modelos de negócio e diferenciação em um mercado cada vez mais competitivo. Embora as oportunidades estejam claras, a adoção estruturada exige preparo em dados, governança, regulação e capacitação de pessoas, pontos que nem todas as instituições conseguiram endereçar até aqui.
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Uma pesquisa recente da 4U EdTech com 99 trabalhadores de instituições financeiras entre 28 e 45 anos reforça o otimismo em relação à tecnologia. O levantamento mostra que 97% dos entrevistados atribuíram notas entre 4 e 5 para a ideia de que dominar a IA traz vantagem competitiva, com média geral de 4,85. Além disso, 94,9% enxergam a IA como oportunidade de crescimento profissional e novas possibilidades.
A expectativa, portanto, é de que tarefas repetitivas sejam automatizadas, enquanto funções que exigem julgamento, regulação e relacionamento interpessoal sejam fortalecidas. O cenário, no entanto, revela que, apesar dessa percepção positiva, somente 43,5% avaliam que os bancos estão preparados para adotar a tecnologia de forma consistente.
No estudo “O banco na era da IA generativa” (The Age of AI: Banking’s New Reality), divulgado em 2024, a Accenture projeta que instituições financeiras que escalarem o uso da IA generativa podem alcançar entre 22% e 30% de ganhos em produtividade nos próximos três anos, além de aumentos significativos de receita. A consultoria também ressalta que muitas empresas ainda se encontram em estágios iniciais de implementação, com barreiras ligadas a aspectos relacionados à qualidade dos dados, governança e falta de clareza sobre os casos de uso mais relevantes.
Ao analisar o mercado, é possível observar que o impacto da IA no setor financeiro já se materializa em áreas como automação de processos, análise de risco, detecção de fraudes, conformidade regulatória, personalização da experiência do cliente e inovação em produtos.
No curto prazo, a expectativa é de que a IA deve se integrar cada vez mais às operações básicas, com ganhos de eficiência e automação. Segundo a Febraban Banking Technology Survey 2025, as instituições financeiras brasileiras planejam aumentar em 61% seus investimentos em inteligência artificial, analytics e big data, como também esperam um crescimento de 15% nos postos de trabalho de TI no ano corrente.
Por outro lado, permanecem barreiras bastante desafiadoras, sobretudo, ligadas à preparação cultural e tecnológica dessas organizações, o que significa dizer que o investimento vai muito além da adoção de sistemas e infraestrutura. Isso tudo somado ao custo do capital e à necessidade de uma regulação mais clara são fatores que ajudam a compreender a velocidade com que a transformação vai se consolidar.
O que defendemos é que as instituições que conseguirem alinhar investimento, governança, cultura organizacional e desenvolvimento de talentos estarão em posição de extrair o real valor da IA. Nesse aspecto, destacamos, além dos ganhos de eficiência, a criação de modelos de negócio mais inovadores, resilientes e centrados no cliente. O grande desafio está, portanto, em construir a maturidade necessária para que a IA seja um diferencial competitivo sustentável para os negócios a longo prazo. *Gilberto Reis é COO da Runtalent.
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