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IA redefine a cibersegurança e eleva fraude digital ao topo das preocupações dos CEOs, aponta relatório do World Economic Forum

A inteligência artificial consolidou-se como o principal vetor de transformação da cibersegurança corporativa em 2026 – mas também como um dos maiores riscos emergentes. É o que revela o relatório WEF_Global_Cybersecurity_Outlook_2026, em parceria com a Accenture, que traz um retrato claro do novo campo de batalha digital: mais automatizado, mais sofisticado e, ao mesmo tempo, mais vulnerável.

Segundo o estudo, 77% das organizações já implementaram ferramentas de IA em suas estratégias de cibersegurança, sendo que 52% utilizam a tecnologia especificamente para detecção de phishing. O avanço, no entanto, vem acompanhado de um efeito colateral relevante: o uso da IA por cibercriminosos para ampliar escala, personalização e eficiência dos ataques.

Não por acaso, 87% dos líderes ouvidos apontam as vulnerabilidades associadas à IA como o risco cibernético de crescimento mais rápido atualmente. A tecnologia passa a operar, portanto, como uma força de “uso duplo”, capaz tanto de fortalecer defesas quanto de potencializar ameaças.

Adoção acelerada expõe lacunas de segurança

O levantamento indica que a corrida pela adoção de IA está à frente da maturidade em segurança. Embora o percentual de empresas que avaliam a segurança de suas ferramentas de IA tenha saltado de 37% em 2025 para 64% em 2026, um terço das organizações ainda não possui qualquer processo formal de validação antes da implementação.

O gap é ainda mais evidente quando se observa o nível de resiliência: 83% das organizações consideradas mais maduras em segurança avaliam suas soluções de IA, contra apenas 39% entre aquelas com baixa resiliência cibernética.

Fraude digital supera ransomware no topo da agenda executiva

Outro movimento relevante capturado pelo estudo é a mudança no foco das lideranças. Em 2026, a principal preocupação dos CEOs deixou de ser o ransomware e passou a ser a fraude cibernética – especialmente ataques de phishing cada vez mais sofisticados e personalizados com apoio de IA.

A ameaça, segundo o relatório, tornou-se direta e pessoal: 73% dos executivos afirmam que eles próprios ou alguém próximo em suas redes profissional ou pessoal foram impactados por fraudes digitais no último ano.

Desalinhamento entre CEOs e CISOs acende alerta

Apesar da mudança de prioridade no nível executivo, o estudo revela um desalinhamento estratégico dentro das organizações. Enquanto a fraude cibernética lidera a agenda dos CEOs, entre os CISOs ela aparece apenas na terceira posição.

Para os responsáveis técnicos, o ransomware ainda ocupa o topo das preocupações – mesmo sendo uma ameaça que, nas empresas mais resilientes, já caiu para a quinta posição na visão dos CEOs. O descompasso pode comprometer investimentos, priorização de riscos e velocidade de resposta.

Ameaças silenciosas ganham relevância até 2030

O relatório também chama atenção para riscos emergentes que ainda recebem pouca atenção das empresas, mas tendem a ganhar protagonismo nos próximos anos.

Entre eles estão os ataques ciberfísicos, que já preocupam 26% dos líderes e podem gerar impactos diretos em ambientes industriais, fábricas e centros logísticos, à medida que sistemas autônomos e robótica se tornam mais presentes.

Outro ponto crítico é a negligência com infraestruturas essenciais da internet. Apesar de 99% do tráfego internacional de dados trafegar por cabos submarinos, apenas 18% das organizações consideram esse risco em seus planos de segurança. Tecnologias espaciais, como satélites, são contempladas por apenas 15%.

Já a computação quântica começa a sair do campo teórico e entrar no radar prático: 37% dos executivos acreditam que ela terá impacto na segurança cibernética já nos próximos 12 meses, principalmente pela capacidade de quebrar modelos atuais de criptografia.

Um novo paradigma de risco

Com base em mais de 100 CEOs e centenas de executivos C-Level globalmente, o estudo reforça que a cibersegurança entra em uma nova fase, marcada por assimetria tecnológica, aceleração de ameaças e pressão por alinhamento estratégico.

Nesse cenário, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a ser o eixo central de disputa – exigindo das organizações não apenas investimento, mas governança, validação contínua e integração entre negócio e tecnologia.

A Accenture destaca que o momento exige uma abordagem mais holística, capaz de equilibrar inovação com segurança, especialmente diante de um ambiente onde os ataques se tornam cada vez mais personalizados, automatizados e difíceis de detectar.

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