Embora a inteligência artificial tenha conquistado espaço nas empresas brasileiras, a transformação dos ganhos individuais em produtividade em escala ainda enfrenta obstáculos. Pesquisa da Afferolab, em parceria com a Tera, revela que 82,7% dos profissionais já tentaram automatizar processos com IA, mas quase metade não consegue manter essas automações funcionando de forma contínua.
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O estudo “A Escalada da Inteligência”, realizado com mais de 3.100 profissionais, conclui que o principal entrave para ampliar o retorno dos investimentos em IA deixou de ser tecnológico. Segundo os pesquisadores, a dificuldade está na cultura organizacional, na centralização das decisões e na baixa maturidade das lideranças para orquestrar processos automatizados.
Outro ponto destacado pela pesquisa é a forte concentração do uso de ferramentas de IA. O levantamento mostra que ChatGPT (97,4%) e Gemini (81,5%) dominam amplamente o ambiente corporativo. Para os pesquisadores, a dependência de poucas plataformas limita o desenvolvimento de competências mais avançadas, fenômeno classificado como “monotool”, considerado um novo tipo de analfabetismo digital.
O estudo identificou ainda um conceito chamado “stack diversity”, que mede a diversidade de ferramentas utilizadas pelos profissionais. Segundo a pesquisa, quem utiliza apenas uma a três soluções de IA obtém ganhos limitados. Já o aumento significativo da produtividade ocorre quando o usuário combina sete ou mais ferramentas integradas para automatizar processos completos, e não apenas tarefas isoladas.
Apesar do interesse crescente pela automação, a pesquisa mostra que os processos ainda dependem fortemente da intervenção humana. Entre as empresas pesquisadas, 33% das automações exigem mais de 75% de trabalho manual, enquanto apenas 5,7% atingiram um nível considerado de automação efetiva, com mínima interferência das equipes.
Para Alessandra Lotufo, Managing Director & Partner da Afferolab, o desafio vai além da tecnologia.
“A automação exige clareza de dados, processos bem estruturados e decisões consistentes. Se a liderança trabalha com regras subjetivas e processos pouco definidos, a IA apenas reproduz essas fragilidades.”
Média gestão é apontada como principal gargalo
O levantamento também identifica a média gestão como o principal obstáculo para a escalabilidade da inteligência artificial nas organizações.
Embora apresentem bons níveis individuais de proficiência, 69% dos gestores afirmam continuar executando manualmente atividades que poderiam ser delegadas ou automatizadas com IA.
Além disso, 39% dos líderes acompanham a execução das tarefas passo a passo, enquanto 17,4% preferem realizar praticamente todo o trabalho sozinhos. Apenas 6,7% atuam em um modelo mais avançado, baseado na definição de objetivos, delegação de responsabilidades e orientação das equipes.
Segundo a pesquisa, essa postura reduz o potencial de retorno dos investimentos em IA, já que os ganhos obtidos pela alta liderança não conseguem ser disseminados para toda a organização.
Para Alessandra Lotufo, a evolução da inteligência artificial nas empresas depende menos do domínio de ferramentas e mais da capacidade das lideranças de redesenhar processos.
“O desafio não é ensinar as pessoas a escrever prompts. O verdadeiro diferencial está em saber orquestrar pessoas, processos e tecnologias. Enquanto as lideranças continuarem atuando como superoperadores centralizadores, a IA será apenas mais uma ferramenta cara, incapaz de gerar vantagem competitiva em escala.”
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