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Indústria digital ameaçada? Techlash liga sinal de alerta para gigantes da tecnologia

É fato que a tecnologia constantemente molda e revoluciona nosso cotidiano. As novidades são tantas que quase não conseguimos acompanhar. Mas até que ponto esse domínio tecnológico exercido pelas grandes empresas de tecnologia, ou big techs, como Google, Amazon, Meta, Apple e Microsoft, não é prejudicial para nossas vidas? Essa crescente preocupação sobre como a indústria tecnológica coleta e utiliza nossos dados pessoais, principalmente nas redes sociais e nos mecanismos de busca, tem trazido desconforto para usuários, e recentemente, um termo foi criado para se referir a esse fenômeno: “techlash”.

 

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O termo é uma amálgama de duas outras palavras inglesas: “tech” para tecnologia e “backlash” que pode ser entendida como “reação negativa”. Há uma crescente onda de notícias vindas das big techs envolvendo temas como influências diretas em processos eleitorais democráticos; constantes acusações de assédio moral e sexual em ambientes de trabalho; pouco ou nenhum combate às fake news em suas plataformas; utilização errônea de dados pessoas e vazamentos desses dados… Enfim, uma miríade de episódios envolvendo negativamente as big techs fez crescer a desconfiança do público consumidor dessas tecnologias.

A ida de Mark Zuckerberg ao Senado americano prestar contas das interferências do Facebook nas eleições americanas de 2016, e as manifestações da sociedade civil contra atividades da Google e Amazon em diferentes países, abriram os olhos do mundo todo para esse problema. Iniciativas têm sido criadas para supervisionar as atividades das big techs, principalmente nas brechas onde os governos não alcançam, na tentativa de levar um pouco de ética para um campo tão nebuloso e desregulado.

O dilema das big techs é entregar a transparência e responsabilidade demandadas sem afetar seus ganhos e sua reputação. Até mesmo alunos egressos das maiores faculdades de ciências da computação do mundo evitam ter de trabalhar nas empresas que outrora foram o símbolo de emprego dos sonhos, por medo de terem que atropelar seus valores morais. O desafio para essas empresas mudarem essa percepção é grande, e passa por diversos pontos.

Um relatório publicado ao final de 2019 pela ITIF, Information Technology and Innovation Foundation, que aponta políticas a serem tomadas em torno do “techlash”, afirma que as tecnologias que apareceram no decorrer da história sempre causaram alguma forma de antipatia e medo, pelo simples fato de serem novidades. Na conclusão do documento, é apontado que a tecnologia deve ser vista não como boa ou má, mas como uma ferramenta valiosa. Segue dizendo que as tecnologias sempre trouxeram soluções, mas junto delas novos problemas, que devem ser debatidos e superados. E que “parar agora seria reduzir o bem-estar social e individual”, pois ninguém deixaria de usar seu vale-alimentação no dia a dia ou até mesmo seu celular.

A questão é bastante complexa! A tecnologia é, sim, um grande motor para nossas relações, sobre a forma como nos comunicamos, consumimos e vivemos, mas não pode ser apartada das questões éticas, como uma ilha com leis próprias. O “techlash” pode ser um alarme de grande utilidade, e somente será superado caso as empresas sejam mais transparentes sobre como usam os dados dos usuários, ajam imediatamente contra casos de assédio, entre outros crimes, e se adequem aos demais anseios legais e da sociedade em geral.

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