A dificuldade em equilibrar as receitas com a privacidade dos usuários ficará mais evidente quando a empresa abrir seu capital e ter de prestar contas aos investidores.
Na era das redes sociais, onde os usuários fornecem de forma voluntária seus desejos, opiniões e interesses a sites no processo de criação de seus perfis virtuais, o uso de tais informações pode ser um fator estratégico definitivo para o sucesso de empresas que desejam entender de forma precisa seus consumidores. O grande paradoxo desse mercado surge justamente na questão ética sobre a forma como esses dados podem ser utilizados, até que ponto uma empresa pode acompanhar a vida pessoal dos usuários para desenvolver estratégias mais eficazes?
A questão da privacidade é a grande barreira enfrentada pelo Facebook atualmente, qualquer alteração realizada no modelo de privacidade vigente da rede social gera enormes repercursões entre os usuários, e um movimento brusco na direção errada poderia gerar um êxodo importante no site de Mark Zuckerberg. A dificuldade em equilibrar as receitas com o bem estar dos usuários ficará mais evidente uma vez que a empresa abrir seu capital e ter de prestar contas aos investidores, mas informações recentes mostram que as receitas do Facebook ainda estão muito aquém do potencial observado pelo mercado (vide o valuation esperado de quase US$100 bi). Resta saber se, com esse enorme aporte de capital, os gestores do Facebook conseguirão desenvolver um modelo de negócios mais diversificado e que consiga conciliar o interesse dos usuários com o interesse dos investidores.
*Marcelo Silva, analista de mercado da Frost & Sullivan