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ISPs puxam demanda por fibra no Brasil e representam maior faturamento da Padtec

CEO da empresa aponta que expansão de tecnologia óptica é fruto de investimento de pequenos provedores.

Argemiro Sousa, diretor de negócios da Padtec (foto: divulgação Padtec).

Na continuação da entrevista com os executivos da Padtec, Manuel Andrade, CEO, e Argemiro Sousa, diretor de Negócios, o assunto focou nos negócios que a empresa toca no Brasil e a sua intenção de expansão mundo afora. Confira a primeira parte da entrevista e a sequência.

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PORTAL IPNEWS: O que os pequenos provedores de Internet representam para o negócio da Padtec?

Argemiro Sousa: Temos cerca de 50 clientes ISPs que já utilizam o DWDM no seu backbone e hoje eles já superam as nossas vendas para as três maiores operadoras fixas do País (Vivo, Oi e Claro/NET). Se você for para pensar que, há cinco anos, 90% da nossa receita eram concentradas nessas três empresas, a evolução do mercado é surpreendente. Nosso faturamento com ISPs cresceu 40% entre 2016 e 2017, um ano de crise onde as operadoras estavam segurando o investimento em CAPEX.

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Manuel Andrade, CEO da Padtec (foto: divulgação Padtec).

PORTAL IPNEWS: Por que os ISPs crescem tanto?

Manuel Andrade: Porque levam fibra até a casa do usuário. O consumidor tinha uma rede ADSL ou via rádio e adquire um GPON; sua rede pula de 1GB para 200GB e cada membro da família consome um produto diferente em seu próprio aparelho. Se tornou nosso mercado mais forte.

PORTAL IPNEWS: Onde mais cresce?

AS: O Nordeste é uma região onde se vê os ISPs bem ativos é interessante ressaltar que a região tem uma média de acesso à fibra na casa maior que a média nacional. Tem muita empresa do tipo bastante ativa no Nordeste.

MA: A impressão que eu tenho é de que o Brasil é o único país onde a fibra tem maior acesso no interior do que no centro. Isso porque o ISP não tem outra opção de tecnologia. Uma operadora tradicional, por exemplo, vai preferir passar fibra em bairros nobres e levar para a periferia quando achar necessário.

AS:  A tradicional vai tentar ao máximo utilizar uma infraestrutura que ela já tem, ao invés de investir em uma nova. Um empreendedor já parte para a fibra, pois a complexidade de um projeto do tipo em uma cidade menor é mais baixa e porque ele não tem um legado para se preocupar.

PORTAL IPNEWS: O programa Internet para Todos é interessante para a estratégia de vocês?

MA: Internet para Todos é rede de satélite e conta com duas frentes: as estações terrestres, que contam com concentradoras e antenas grandes, e as Visats, antenas menores vão receber o sinal do satélite em escolas e postos de saúde. Nosso papel é conectar essas antenas grandes fomos contratados para fornecer a tecnologia. Mas não é um mercado que vai fazer a gente crescer na ponta.

PORTAL IPNEWS: Em que outros projetos públicos vocês estão envolvidos?

MA: O Amazônia Conecta é nosso principal projeto de infraestrutura pública, cujo plano é passar fibra óptica na Floresta Amazônica. O Exército puxa a liderança de um consórcio que inclui diferentes entidades, incluindo a Universidade da Amazônia. Como temos experiência com cabos submarinos, fizemos o projeto piloto, colocando um cabo conectando o Rio Amazonas ao Rio Madeiras e somos os responsáveis por iluminar os próximos cabos.

O projeto é faseado e o objetivo é implantar 9 mil km de fibra nos rios, conectando diversas cidades. O piloto foi no começo de 2015 e, no final de 2016, ganhamos o edital para iluminar o cabo da primeira fase e são cerca de 1,5 km já implantados. A segunda fase está em espera e não há previsão para retomada, pois demanda do orçamento do Exército.

PORTAL IPNEWS: A Padtec tem experiência com projetos de cabos submarinos. Quais são os projetos de vocês na área?

MA: Nós construímos o cabo do Google que liga Praia Grande (SP) ao Rio de Janeiro, conectando infraestruturas de data center da empresa. O interessante desse projeto foi a opção por um cabo submarino. Apesar do custo alto do projeto, ele não conta com o OPEX que uma infraestrutura terrestre pede, que precisa de um site de amplificação a cada 100 km – que gera custos de refrigeração, segurança patrimonial e riscos de falha. O tempo de vida de um projeto de cabo submarino é de, no mínimo, 25 anos.

Outro cabo submarino construído e gerenciado pela Padtec é o da Embratel, chamado Festoon, que se conecta a diferentes cidades no litoral do Nordeste para que não seja necessário utilizar muitos amplificadores.

PORTAL IPNEWS: Quais os planos de expansão internacional da empresa?

MA: Nossa meta é crescer no mercado externo mais do que no interno. Hoje, 80% do faturamento vem do Brasil e o resto de fora, mas a meta é balancear os índices e aumentar a receita em dólar, fugindo da saturação do mercado nacional. O País é nosso mercado base e vai continuar sendo por muito tempo, mas já temos crescido internacionalmente mais do que no Brasil.

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