Um dos principais questionamentos quando se fala em inteligência artificial (AI) é o potencial de que ela vai acabar com empregos. O interesse da Uber em carros autônomos, por exemplo, será uma forma da empresa aumentar sua rentabilidade, já que não terá que dividir o valor da corrida com o motorista. Mas quando se fala em Brasil, a expectativa é que mudanças como essas demorem mais para acontecer, já que a mão de obra por aqui é mais barata que o investimento em AI.
Gartner aponta que AI vai acabar com a privacidade de dados da forma que conhecemos
A análise é de João Tapadinhas, vice-presidente de Análise de Dados do Gartner. De acordo com ele, substituir pessoas por máquinas acaba sendo mais caro. Um exemplo é o caixa de autoatendimento em supermercados, que é popular nos Estados Unidos e até mesmo no Chile, mas que o contrato de manutenção acaba sendo mais caro que o salário de um funcionário.
“A adoção vai atrasar, mas não vai ser algo ruim. Quando o Brasil começar a utilizar AI em seus processos, serão as soluções de inteligência artificial estarão mais maduras e consistentes. Haverá menor gasto em projetos que tendem a fracassar”, explica Tapadinhas. Esse atraso não fará diferença no mercado nacional, mas as empresas que competem globalmente, como Petrobras e Vale, devem investir na inovação para não ficar para trás.
Por outro lado, o executivo não discorda que empregos devem acabar com o uso da inteligência artificial, que deverá ser usada para automatizar tarefas manuais, mas ela também deve promover o que ele chama de trabalho criativo. “Os processos de AI hoje estão focados em determinadas soluções para determinados casos, como chatbots, que resolve problemas apenas para o que foi treinado”, explica. Ou seja, a tendência é que a inteligência artificial substitua processos mecânicos, como o caixa eletrônico substituiu pessoas na boca do caixa no passado recente.
Ele compara esse movimento com o que aconteceu nas revoluções industriais pelas quais a sociedade passou. O que não significa que os empregos vão acabar. A expectativa é que abra espaço para outras funções mais humanas. “As capacidades da AI atualmente não estão preparadas para trabalho criativo e resolver problemas de formas diferentes”, destaca Tapadinhas.
“O atendimento a pessoas dificilmente vai ser substituído por robôs ou computadores nos próximos anos. Ao invés de ter um caixa de banco que vai ficar conferindo cheques, você pode transformá-lo em um gerente de contas, que vai resolver problemas de clientes, ou seja, um serviço mais humano”, diz. Mas ele faz uma ressalva: pessoas que trabalham eliminando ervas daninhas em lavouras, por exemplo, não vão se transformar em cientistas de dados. “Vai haver dores nessa substituição.”
