É quase um paradoxo, mas o mercado de trabalho de tecnologia anda carente por profissionais especializados em diferentes áreas de TI, mas que saibam também de tudo um pouco da TI em geral. A afirmação é do coordenador dos cursos de TI da Faculdade FIAP, Humberto de Sousa, que ainda diz que um profissional não pode se abster de saber programar e nem de infraestrutura. “As áreas de TI hoje estão mais interligadas”, afirma.
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O coordenador também comentou sobre a área de cibersegurança e do curso de Defesa Cibernética que a FIAP oferece. De acordo com ele, a área está valorizada devido à preocupação maior que as empresas, usuários e até governos criaram após escândalos de vazamentos de dados, como o do Facebook ano passado. Sousa também aproveita para falar sobre as oportunidades de carreira desses profissionais.
Confira a entrevista:
PORTAL IPNEWS: Qual é o pior de profissional de TI que o mercado busca?
Humberto de Sousa: O mercado não tem uma necessidade só. Ele precisa de um profissional especialista, mas que saiba de tudo um pouco. É normal que o cara seja “só infra” ou “só desenvolvedor”. Não dá para ser assim mais porque se você for responsável por um parque de computadores, você não vai programar um por um, vai automatizar. Já o desenvolvedor, se não entender infraestrutura, ele não consegue lidar com a nuvem. As áreas estão mais interligadas.
A mesma lógica funciona para os profissionais de segurança?
HS: Até pouco tempo, quatro anos atrás, muitas vagas eram voltadas a “desenvolvedor que conheça um pouco de segurança” ou “técnico responsável por infraestrutura com conhecimento em segurança”. A segurança era um adicional dentro das funções de um profissional de TI. Com o tempo, a segurança foi tomando cada vez mais valor, já que os hackers começaram a ser cada vez mais criativos e eficientes. A dor fez as empresas perceberem que é preciso um cara especializado em segurança que tenha outras habilidades.
O curso de Defesa Cibernética está alinhado com esse posicionamento das empresas?
HS: Um profissional formado em Defesa Cibernética passa por diferentes skills. Não é um cara que só programa ou só lida com infraestrutura, mas um profissional mais generalista a título de tecnologias e que, dentro disso, seu foco se torna segurança.
Qual a importância de um curso como esse para o mercado?
HS: O curso é importante para qualquer profissional de TI, independentemente de onde atue, e de outras áreas, por exemplo. O segmento de direito digital, por exemplo, vem crescendo e pede necessidade de profissionais especializados nessa área devido as leis que vem surgindo. A área da saúde, que mostra preocupação com a segurança de seus dados. É um curso que dá uma visão ampla para que pessoa possa tomar cuidados básicos e que tipo de profissional precisa em sua empresa.
O curso de Defesa Cibernética é novo na FIAP. Quando a primeira turma se forma? Qual a perspectiva de carreira para ela?
HS: A primeira turma se forma no final deste ano e há inserção no mercado e alguns alunos pensam em pós-graduação e outras certificações para complementar o currículo. Quando um estudante se forma em Defesa Cibernética surgem várias oportunidades. Uma é montar o próprio negócio e começar a prestar serviços de cibersegurança, o que está em alta. Outra é tentar carreira pública, já que diversos órgãos públicos começam a abrir editais para vagas em segurança, como o Exército.
Nas empresas, os alunos começam em cargos de trainee e, a partir do momento em que vão se desenvolvendo, vão subindo de cargo também, alcançando o pleno, sênior e até gerente. Os salários variam muito de empresa para empresa, mas um trainee deve estar numa faixa de R$ 1,5 mil até R$ 3 mil. Já júnior pode chegar até R$ 5 mil e pleno até R$ 12 mil. O sênior, dependendo da empresa, entre R$ 20 mil e R$ 25 mil.
Pode-se dizer que a área de cibersegurança está valorizada?
HS: Sim. Para as empresas, é preciso ter mais segurança nos produtos que lançam para que não tragam prejuízo financeiro ou de imagem, como no caso da babá eletrônica que foi invadida por hackers, que faziam isso para conversar com crianças usando palavras de baixo calão. A fragilidade da segurança traz isso, a exemplo do caso do Facebook. Além disso, tem o fato de cumprir com a legislação para não ser penalizada. O profissional da segurança chega com o papel de garantir isso.
Mas tem uma curva muito grande nos salários ainda (entre empresas), mas está muito valorizado porque, para contratar um cara para defesa cibernética, não basta ter um conteúdo técnico. O profissional precisa ser muito ético e responsável, não pode falhar, então termina sendo um profissional que a empresa vai construindo com o tempo.
O mercado brasileiro de cibersegurança é imaturo comparado com o exterior?
HS: O mercado lá fora já está bem mais maduro. China, Rússia e EUA, que sofrem muito com ataques, se prepararam melhor e contam com projetos governamentais de incentivo para a formação de profissionais de segurança com parcerias com empresas. O governo brasileiro ainda não abriu os olhos para esse setor.
