O ciclo de euforia em torno da Inteligência Artificial no setor automotivo começa a dar lugar a uma fase de maior seletividade. Segundo previsões do Gartner, até 2029 apenas 5% das montadoras manterão investimentos ambiciosos e estruturais em IA, enquanto a maioria seguirá utilizando a tecnologia de forma mais pragmática, aplicada a casos de uso específicos e com menor protagonismo estratégico.
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O movimento não representa um abandono da IA, mas sim uma concentração dos investimentos em um grupo restrito de fabricantes capazes de sustentar iniciativas de longo prazo. De acordo com o Gartner, essas empresas compartilham características como maturidade em software e dados, liderança com forte conhecimento tecnológico e uma visão consistente de IA como elemento central do negócio.
“O setor automotivo vive hoje uma fase de entusiasmo excessivo em relação à IA, na qual muitas empresas buscam ganhos disruptivos antes de construir bases sólidas”, afirma Pedro Pacheco, vice-presidente analista do Gartner. “Essa expectativa tende a se transformar em frustração, à medida que parte das organizações não consegue cumprir metas ambiciosas sem a maturidade necessária.”
Na prática, a consultoria avalia que a maior parte das montadoras deverá reduzir a escala de seus projetos, limitando a IA a funções como melhoria de qualidade, manutenção preditiva, logística e eficiência operacional. Já o grupo que continuará investindo de forma intensiva tende a usar a IA como diferencial competitivo, sustentando estratégias de software, dados e novos modelos de negócio.
“Software e dados são os pilares da Inteligência Artificial”, reforça Pacheco. “As empresas que já atingiram maior maturidade nessas áreas partem em vantagem. Além disso, organizações lideradas por executivos com forte formação tecnológica são mais propensas a manter a IA como prioridade estratégica, em vez de tratá-la apenas como ferramenta de apoio.”
Automação total da montagem pode chegar a 2030
Paralelamente à reorganização dos investimentos em IA, o Gartner projeta uma transformação profunda nas operações industriais. A consultoria prevê que, até 2030, ao menos uma montadora atingirá a montagem totalmente automatizada de veículos, impulsionada pela rápida adoção de robótica avançada nas fábricas.
“Atualmente, quase metade das principais montadoras globais já testa robôs avançados em suas linhas de produção”, afirma Marco Sandrone, vice-presidente analista do Gartner. “A automação total permite reduzir custos de mão de obra, elevar a qualidade e encurtar os ciclos produtivos, trazendo ganhos tanto para as empresas quanto para os consumidores.”
Embora a automação avance sobre funções tradicionais de montagem, o Gartner destaca que novas demandas devem surgir em áreas como supervisão de sistemas baseados em IA, manutenção de robótica e desenvolvimento de software industrial, desde que as montadoras invistam em programas de requalificação profissional.
As análises fazem parte do relatório “Predicts 2026: Automotive”, divulgado pelo Gartner.
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