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Multicloud deixa de ser estratégia e vira necessidade

A adoção de arquiteturas híbridas – que combinam infraestrutura própria com nuvens públicas – e de ambientes multicloud, utilizando simultaneamente diferentes provedores, aparece como um dos principais impulsionadores do mercado global de data centers. Este é um dos principais achados do estudo “Data Center Global Market Analysis, Insights and Forecast, 2021- 2034”, divulgado pela ortune Business Insights.

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Essa mudança, segundo o estudo, amplia significativamente a complexidade da infraestrutura. Empresas precisam distribuir aplicações críticas entre diferentes plataformas, manter níveis elevados de disponibilidade e segurança e administrar grandes volumes de dados em ambientes cada vez mais descentralizados.

Como consequência, cresce a necessidade de investimentos não apenas em capacidade física, mas também em equipamentos, softwares de gerenciamento e serviços especializados.

A tendência ganha ainda mais força com a disseminação de aplicações de inteligência artificial generativa, que exigem infraestrutura de alto desempenho e disponibilidade permanente.

Crescimento beneficia toda a cadeia

Outro aspecto importante do estudo é que o conceito de mercado de data centers vai muito além da construção de prédios. O levantamento considera receitas provenientes de hardware, softwares de gerenciamento da infraestrutura (DCIM) e serviços associados à operação dos ambientes críticos. Entre os equipamentos avaliados estão sistemas de energia, refrigeração, servidores, dispositivos de rede e racks, todos diretamente impactados pela expansão das cargas de trabalho digitais.

Esse recorte evidencia que o crescimento esperado deverá beneficiar uma ampla cadeia de fornecedores de infraestrutura, incluindo fabricantes de equipamentos, empresas de software, integradores, operadores de data centers e prestadores de serviços especializados.

Para o mercado brasileiro, isso também cria oportunidades para operadoras de telecomunicações, provedores regionais de internet (ISPs) e empresas de infraestrutura digital que vêm ampliando seus portfólios com serviços de cloud, colocation, edge computing e hospedagem corporativa.

Edge e hyperscale ganham espaço

O estudo também demonstra como o mercado vem se diversificando. Além dos data centers tradicionais, a pesquisa segmenta o mercado entre instalações de colocation, hyperscale, edge e outros modelos, indicando que diferentes arquiteturas deverão coexistir para atender demandas específicas de processamento, armazenamento e baixa latência.

A expansão do edge computing, por exemplo, acompanha a necessidade de aproximar o processamento dos usuários finais, reduzindo latência em aplicações como internet das coisas, vídeo, redes 5G e inteligência artificial em tempo real.

Já os hyperscalers seguem impulsionando investimentos em grandes instalações voltadas aos serviços globais de nuvem.

Telecom está entre os setores mais impactados

A pesquisa mostra ainda que praticamente todos os segmentos econômicos deverão ampliar a utilização de infraestrutura de data centers. Entre os setores analisados estão tecnologia e telecomunicações, serviços financeiros, saúde, governo, indústria, varejo e comércio eletrônico.

Para o setor de telecom, a evolução do mercado representa uma oportunidade adicional de geração de receita. À medida que empresas aceleram projetos de transformação digital, cresce também a demanda por conectividade de alta capacidade, hospedagem de aplicações, serviços gerenciados, recuperação de desastres, computação em nuvem e soluções de infraestrutura distribuída.

América Latina está contemplada, mas sem números públicos

Embora o estudo inclua uma análise específica para a América do Sul, contemplando Brasil, Argentina e os demais países da região, a versão pública disponibilizada pelo instituto de pesquisa não divulga os indicadores regionais nem as projeções de crescimento. Os dados aparecem apenas na estrutura do relatório completo, sem os respectivos valores.

Assim, não é possível afirmar, com base na documentação disponível, qual será a participação da América Latina na expansão prevista para o mercado global.

Entre as informações efetivamente divulgadas, o levantamento destaca apenas a liderança da América do Norte, que respondeu por 42,5% do mercado mundial em 2025 e movimentou US$ 114,67 bilhões, consolidando-se como a principal região em investimentos em infraestrutura de data centers.

O estudo cita como alguns dos principais participantes desse mercado empresas como Schneider Electric, Cisco, ABB, Dell Technologies, Hewlett Packard Enterprise, IBM, Huawei, Hitachi, NTT Communications e Comarch, refletindo a diversidade da cadeia de fornecedores que acompanha a evolução da infraestrutura digital global.

Embora a versão pública do estudo não apresente indicadores para a América Latina, o Brasil vive um momento de forte expectativa em torno da expansão desse mercado. O país reúne atributos considerados estratégicos para atrair novos investimentos – como uma matriz elétrica predominantemente renovável, ampla disponibilidade de energia e posição geográfica favorável -, mas o setor avalia que a concretização desse potencial depende do avanço de medidas que reduzam o custo de implantação e ampliem a competitividade da infraestrutura nacional.

Nas últimas semanas, entidades da indústria intensificaram a mobilização em torno do regime tributário para data centers (ReData), defendendo que decisões regulatórias e fiscais serão determinantes para que o Brasil dispute os investimentos globais impulsionados pela computação em nuvem e pela inteligência artificial.

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