Uma boa ação preventiva desenvolvida a partir dos Planos de Continuidade de Negócios depende da forma com que as áreas de Governança, Riscos e Conformidade se comunicam.
Pois, é preciso garantir a continuidade das operações e prestar serviços em qualquer situação – e isto não é apenas estar de acordo com as regulamentações exigidas pelas leis de cada setor. Trata-se de um comprometimento e respeito com os acionistas, clientes, parceiros, colaboradores e a sociedade em geral.
O risco da paralisação do seu negócio aumenta na medida em que os investimentos previstos para a mitigação das ameaças existentes são eliminados do planejamento da empresa. E, com isso, respostas adequadas a estes riscos deixam de ser executadas.
Uma boa ação preventiva desenvolvida a partir dos Planos de Continuidade de Negócios depende da forma com que as áreas de Governança, Riscos e Conformidade (Compliance) se comunicam. A maturidade da empresa na atribuição de responsabilidades dessas áreas também é muito fundamental para processo.
Em primeiro lugar, é válido salientar que a GRC (Governança, Riscos e Conformidade) não soma os conceitos individuais de cada área, mas as consolida dentro de um único modelo integrado.
Ponha-se no lugar do Gestor de Continuidade de Negócios – sim, esta profissão existe e não está mais ligada à Tecnologia da Informação. Dessa forma, como é possível alinhar esses conceitos? Na realidade, a existência de uma área específica para a Gestão da Continuidade dos Negócios irá nortear as demais áreas de forma a atendê-las plenamente em relação às suas necessidades particulares de não-paralisação da empresa.
Todo o planejamento deve girar em torno de um conceito único de trabalho. Isso com o objetivo de evitar a duplicação de processos, gastos com controles redundantes e conflitos na tomada de decisão. Esse conceito facilita o alinhamento estratégico com o negócio e, acima de tudo, atende às demandas específicas da própria área de Continuidade de Negócios com base num padrão já consolidado e validado internacionalmente (A norma técnica brasileira é baseada no padrão britânico BS 25999).
A abordagem da Continuidade com a GRC permitirá que alguns benefícios sejam rapidamente percebidos: aumento do grau de previsibilidade, melhoria da sensibilidade da organização em relação às ameaças, expansão da capacidade de inovação em ambientes dinâmicos e incertos e, sem dúvida, maior resiliência em cenários de crises.
À medida que a Gestão da Continuidade de Negócios amadurece na estratégia das organizações e se firma como um modelo de prudência empresarial, esta prática torna-se um “ingrediente” inserido na composição de todos os produtos e serviços oferecidos ao mercado, e não apenas mais um processo dentro da cadeia de valor destas empresas.
A Gestão Continuidade de Negócios somente será compreendida e eficaz quando atender as áreas de Governança, Riscos e Conformidade e também aos objetivos da estratégia organizacional.
*Cláudio Basso é diretor da Sion People Center, tem 30 anos de experiência na área de TI, dez deles em Continuidade de Negócios e sete em Segurança da Informação. É integrante da ABNT/CEET (Comissão de Estudo Especial Temporária da Associação Brasileira de Normas Técnicas), voltada à elaboração de normas de Continuidade de Negócios.