As operadoras móveis já estão se preparando para a implementação do 5G no Brasil, mas caso queiram desbloquear o verdadeiro potencial da tecnologia, também será necessário o investimento na edge computing. Isso porque será necessário o processamento mais perto do evento para diminuir a latência e permitir a ação de dispositivos conectados.
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É assim que pensa Silvio Ferraz de Campos, CEO da Positivo Servers & Solutions. Ele diz que o uso do 5G por consumidores finais não irá pagar o investimento na rede 5G. Quem vai trazer o retorno financeiro serão os casos de uso como carros autônomos, cidades inteligentes e Indústria 4.0 e são justamente eles que vão demandar um processamento com menor latência.
Na entrevista abaixo, ele explica como isso poderá ser feito e que as operadoras já vão ter que investir na edge computing para aderir ao Open RAN. Confira.
IPNews: Qual a correlação entre edge computing e 5G?
Silvio Ferraz de Campos: O 5G é a avenida que expande a maneira de se conectar, entre 1 Gbps chegando até 10 Gbps. O servidor de edge computing vem para estender o alcance do data center para mais perto do evento (onde os dados são gerados). Ele vai reduzir a latência porque, mesmo com a banda do 5G sendo maior, a diferença entre o dado ir e vir até o data center tem um tempo de até 50 milissegundos. Com o edge computing no meio do caminho, esse tempo será consideravelmente menor.
Como funciona a comunicação entre a edge e a nuvem?
A edge computing vai fazer parte do processamento antes de se comunicar com o data center – e não vai fazer o armazenamento. A comunicação entre a edge e o data center não precisa de tão pouca latência. Imagina que o edge computing não tem tempo para perguntar para o data center, então ele mesmo vai processar o dado para devolver a informação à solução.
Por que o edge computing já não é utilizado agora?
Porque o 5G permite fazer muito mais coisas que precisa de respostas mais rápidas, como os carros autônomos, que precisam se comunicar com diferentes sensores e equipamentos de trânsitos para tomarem uma ação rápida.
Mas no caso de carros autônomos, não seria melhor processar os dados dentro do próprio carro?
Parte do processamento será feito no carro, mas só que é preciso uma central que se comunique com todos os carros. Ele precisa de uma latência baixa para que a informação que está fora do carro (como o trânsito lá na frente) chegue rapidamente para ele poder tomar uma ação.
Pensando nas operadoras, o que você acha que eles precisam fazer para desbloquear o potencial do 5G? Tem que investir na edge computing?
As operadoras que já possuem o SD-RAN já conseguem implementar o 5G sem a necessidade do Open RAN, então o edge computing não será necessário em um primeiro momento. Mas nas cidades onde não tem o SD-RAN, já vão partir diretamente para o Open RAN e aí entram os servidores de edge. Depois da implementação, vem uma segunda onda: quem vai utilizar o 5G e como. Segundo pesquisas de mercado, o 5G vai ser pago pelo B2B porque não será possível cobrar do consumidor todo o custo de infraestrutura. Com isso, quem vai pagar o 5G são os casos de uso de smart city e carros autônomos, por exemplo, que vão demandar o investimento em edge computing.
A tradução literal de edge computing é computação na borda. Onde estaria os equipamentos dessa borda?
Esses equipamentos tem dois momentos. O primeiro trabalha quando se vai fazer a infraestrutura do 5G, que vai demandar equipamentos de Open RAN (a linguagem que vai operar o 5G). Então já se vai precisar de alguns servidores na infraestrutura da operadora, que pode ser usada para o edge. Depois dessa infraestrutura pronta, as operações que vão usar o 5G podem criar suas estruturas de edge computing.
Então vamos ter equipamentos para processar essas informações já nas antenas das operadoras?

Estrutura para servidores de edge computing a qual Silvio Ferraz se refere (imagem: divulgação).
Sim, na própria antena já vamos ter isso. Quando se monta a unidade de transmissão do 5G vão ser necessários equipamentos de edge computing ali. São parecidos com soluções de data center com algumas adaptações: têm mais acesso para conexão de ethernet, o tamanho é mais reduzido e a fonte de alimentação é mais adequada para o ambiente. Inclusive, já temos servidores de edge computing que podem ser colocados em postes, com características que suportam condições extremas.
Como seria a segurança física desse tipo de equipamento para postes?
Seria um problema. As operadoras no Brasil já sofrem com isso hoje (roubo de cabos, por exemplo). Esse servidor para postes é uma caixa blindada, mas é preciso que as operadoras tenham como cuidar dessa infraestrutura para diminuir riscos de vandalismo e furto.
Você acha que soluções de edge computing vão ser usadas no Brasil, dado o risco de roubo que esses equipamentos têm? Mesmo nas estruturas de antenas as operadoras sofrem roubos, por exemplo.
Vai ser necessário alguma estratégia de segurança física. Hoje, as antenas de celular já possuem algum tipo de segurança. Eles usam travas, alarmes e câmeras. A segurança física vai ser um desafio para implementar o 5G, mas é algo que elas já enfrentam hoje.
A Positivo Servers & Solutions já tem planos de ajudar as operadoras nessa implantação?
Nós temos uma parceria de OEM com a Supermicro, que possui uma linha específica para edge computing. Temos a exclusividade da produção e distribuição das soluções da Supermicro. O supercomputador Dragão, da Petrobras, foi fabricado pela Positivo Servers & Solutions com servidores da Supermicro, por exemplo.
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