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Pesquisa aponta tendências e desafios para o compliance no Brasil em 2026

O compliance brasileiro entra em 2026 em um momento de inflexão: mais maduro do ponto de vista estrutural, porém pressionado por equipes enxutas, escopo crescente e dificuldade para demonstrar valor estratégico ao negócio. Esse é o retrato traçado pela terceira edição da Pesquisa Nacional sobre Necessidades e Tendências do Compliance, conduzida pela Be.Aliant, fornecedora de soluções integradas de compliance, e Protiviti Brasil, consultoria global especializada em gestão de riscos, tecnologia e inovação.

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O estudo aponta que a discussão já não é mais se as empresas “têm compliance”, mas se seus programas realmente cobrem, de forma efetiva, os riscos atuais do ambiente corporativo, como a falta de integração de processos e a profundidade dos programas.

Segundo a pesquisa, 64% das empresas pretendem manter o tamanho de suas equipes de compliance em 2026, enquanto 30,7% planejam expandir o time e apenas 4,8% preveem redução. A maior parte das estruturas continua enxuta, 65% operam com duas a cinco pessoas, e 12% contam com apenas um profissional dedicado à função.

Ao mesmo tempo, o escopo de atuação cresce de forma consistente. Hoje, 58,1% dos times de compliance acumulam Gestão de Riscos, 46,5% respondem por Controles Internos, 38,7% atuam diretamente com Privacidade de Dados, impulsionados por demandas da LGPD, 21,7% atendem demandas de Auditoria Interna e 14,7% absorvem parte do Jurídico. Também ganham espaço temas tradicionalmente ligados a outras áreas, como riscos psicossociais, assédio e relações trabalhistas, refletindo a vigência da NR-01 e legislações recentes voltadas à proteção do ambiente de trabalho.

A “ilusão de maturidade” dos programas de integridade

Embora pilares básicos estejam amplamente implementados — 96,9% das empresas possuem canal de denúncias, 94,6% têm código de conduta, 84,5% realizam investigações internas, 80,4% executam ações de treinamento e comunicação e 76,7% obtêm suporte da alta administração — o estudo revela lacunas estruturais que comprometem a maturidade real dos programas.

Apenas 36% das organizações realizam auditorias periódicas de seus Programas de Integridade, metade não utiliza KPIs para medir a efetividade das ações, 60% não realiza due diligence universal de terceiros e um terço ainda falha na avaliação de integridade de colaboradores na contratação.

Os pesquisadores entendem que este é um dos pontos mais sensíveis revelados pelo estudo. Muitas organizações acreditam que amadureceram, mas os dados mostram que ainda falta profundidade, continuidade e comprovação objetiva dos resultados. A ausência de auditorias, métricas e diligência ampla cria uma sensação de maturidade que não se sustenta quando surgem crises ou questionamentos regulatórios.

Em um ambiente de maior cautela econômica, 60% dos profissionais esperam estabilidade orçamentária em 2026, 55% consideram o orçamento atual adequado, 45% afirmam que ainda é insuficiente frente às responsabilidades da área, enquanto 22% projetam redução de recursos e apenas 18% planejam aumento.

Sobrecarga operacional e necessidade de mais tecnologia

Os profissionais de compliance relatam executar até 20 atividades diferentes, muitas de forma manual e simultânea. Entre as práticas mais comuns estão gestão de políticas, treinamentos, gestão de canais de denúncia e condução de investigações internas. No entanto, atividades estratégicas como avaliações de riscos, auditorias internas e diligências de terceiros aparecem com alta importância percebida, mas baixa frequência de execução, indicando sobrecarga operacional e falta de priorização estrutural.

Diante desse cenário, a pesquisa indica três caminhos prioritários para 2026: fortalecer parcerias estratégicas com áreas como TI, RH e Jurídico; automação de tarefas repetitivas para liberar tempo para ações analíticas; e reorganização das atividades em clusters integrados de Prevenção, Detecção e Remediação.

O estudo também mostra avanço no uso da tecnologia: 84% das empresas utilizam algum tipo de solução digital em compliance e 91,5% consideram a inteligência artificial uma tendência prioritária. Na prática, porém, apenas 33% já implementaram IA em suas rotinas, e os níveis de satisfação ainda são baixos em aplicações como avaliação de riscos, monitoramento contínuo e background check. A principal barreira não é a falta de ferramentas, mas a fragmentação de dados, que impede análises preditivas, visão integrada de riscos e uso avançado de automação.

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